Uma variedade de banana editada geneticamente pela empresa britânica Tropic para demorar mais a escurecer depois de cortada já tem aprovação para cultivo e venda no Brasil, desde abril deste ano. A mesma aprovação vale para o Japão, que recebeu o aval no mesmo mês.

O escurecimento da banana é causado pela enzima polifenol oxidase, ativada pelo contato com o oxigênio. Para reduzir a produção dessa enzima, os cientistas da Tropic usaram a ferramenta de edição genética CRISPR-Cas9. A técnica não introduz DNA de espécies não relacionadas.

A polpa da banana editada resiste pelo menos um ou dois dias a mais sem escurecer, segundo a Tropic, um período ainda maior se guardada na geladeira.

No Reino Unido, sede da Tropic, a aprovação final ainda depende do Defra, que já classificou a fruta como "variedade melhorada com precisão" pela lei de plantas editadas em vigor desde novembro de 2025.

Por que isso importa para o Brasil?

O Brasil é o 4º maior produtor mundial de banana, atrás de Índia, China e Indonésia, com 6,8 milhões de toneladas colhidas em 2023. Quase toda essa produção fica no mercado interno. Apenas cerca de 1% é exportado.

Como a aprovação brasileira cobre também o cultivo, a variedade pode chegar às lavouras nacionais. Os maiores estados produtores são São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Pará.

O desperdício por aparência já é um problema conhecido aqui. Bananas opacas geram prejuízo de R$ 100 milhões por ano só em São Paulo, por um fenômeno diferente do escurecimento pós-corte.

No Reino Unido, mercado de origem da Tropic, um levantamento do governo de 2017 mostrou que 1,4 milhão de bananas próprias para consumo eram jogadas no lixo todos os dias. Quase um terço dos consumidores descartava a fruta só por notar manchas ou amassados.

A técnica também avança em outras frentes. Pesquisas recentes mostram que a inteligência artificial já ajuda a descobrir novos sistemas genéticos parecidos com o CRISPR.

A ferramenta também avança na medicina. Um ensaio recente usou CRISPR para cortar o colesterol em 52%, sem efeito colateral grave.

O que acontece agora

A Tropic afirma que a redução do desperdício poderia cortar em mais de 9 milhões de toneladas as emissões de CO₂ do setor exportador de bananas. Segundo Gershon, as aprovações no Japão e no Brasil refletem "confiança internacional crescente" nesse tipo de tecnologia agrícola.

Com os dois países, a empresa já soma aprovação regulatória em 11 nações, incluindo Estados Unidos, Canadá, Filipinas, Colômbia e Honduras.

No Brasil, ainda não há data para a chegada da fruta às gôndolas.