O cantor Netinho foi internado em Salvador nesta semana para tratar a recidiva de um linfoma não Hodgkin diagnosticado pela primeira vez em março de 2025. A recidiva, quando a doença volta após o tratamento, atinge entre 30% e 35% dos pacientes.

O linfoma não Hodgkin se origina nos linfócitos, células que ajudam o corpo a combater infecções. O risco de desenvolvê-lo é de cerca de 1 em 43 para homens e 1 em 53 para mulheres, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O INCA estima 12.040 novos casos por ano no Brasil entre 2023 e 2025, sendo 6.420 em homens e 5.620 em mulheres. O risco aumenta com a idade. O diagnóstico mais comum ocorre a partir dos 65 anos.

Os números mostram uma doença tratável, mas não garantida. A maioria dos pacientes responde à quimioterapia inicial, mas uma fração relevante precisa enfrentar o retorno do câncer depois.

O que acontece quando a doença volta?

Pacientes sem remissão completa ou com recidiva costumam passar por um novo esquema de quimioterapia, de segunda linha. Se forem jovens e tiverem boa saúde geral, pode haver indicação de transplante autólogo de células-tronco, considerado a melhor chance de cura nesses casos.

A chance média de cura do linfoma não Hodgkin fica entre 60% e 70%, segundo a literatura médica, variando por subtipo, estágio ao diagnóstico, idade e resposta ao tratamento.

Terapias mais recentes, como as células CAR-T, já têm resultados promissores no Brasil contra o linfoma não Hodgkin. Cerca de 60% dos pacientes respondem a esse tratamento, e cerca de 30% mantêm a resposta de forma duradoura.

Um estudo brasileiro recente mediu a eficácia da terapia CAR-T especificamente em pacientes com linfoma, a mesma situação de quem enfrenta uma recidiva.

Isso não significa que a recidiva seja o fim do tratamento.

Para muitos pacientes, a segunda tentativa de tratamento ainda pode levar à remissão duradoura ou à cura.

O que acontece agora

Netinho segue internado em Salvador, segundo a equipe do artista, sem atualização pública sobre alta ou próximos passos do tratamento. Casos de recidiva costumam exigir acompanhamento mais longo do que o diagnóstico inicial.

Casos assim já tiveram desfecho positivo no país: uma paciente tratada com CAR-T em São Paulo chegou à remissão total do câncer.

O ponto em aberto

O avanço de terapias como o CAR-T amplia as opções para quem enfrenta recidiva, mas a resposta de cada paciente depende de fatores individuais que a estatística geral não capta. Os números mostram a direção do tratamento, não o desfecho de um caso específico.