Os preços dos combustíveis no Brasil subiram até 14,45% desde o fim de fevereiro, com a guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel, segundo a ANP. O avanço ocorre a duas semanas do 1º turno, mesmo após subsídios do governo.

Só o etanol ficou mais barato no período. Todos os outros combustíveis tiveram alta, com variações entre 3,23% e 14,45%, esta última no diesel S10, segundo o levantamento semanal da ANP em todo o país.

O governo já tomou uma série de medidas para conter o repasse da alta aos consumidores. Em março, concedeu subvenção de R$ 0,32 por litro do diesel e zerou o PIS/Cofins sobre a importação do combustível.

Em abril, zerou os tributos sobre o biodiesel. Em julho, criou subvenção de R$ 0,44 por litro para a gasolina. No dia 9 de setembro, Lula assinou a Medida Provisória 1.391, com nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel rodoviário.

O programa de subsídios ao diesel já soma quase R$ 10 bilhões em gastos em 2026, quantia paga a produtores e importadores para conter o preço nas bombas.

Um balanço da semana anterior já mostrava R$ 6,6 bilhões gastos para conter o preço do diesel, segundo o levantamento mais recente sobre o programa.

O Congresso questiona a MP do diesel

O Congresso já recebeu 37 emendas à MP do diesel. Seis delas são do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que quer mudar prazos e regras operacionais do subsídio para proteger o transporte da safra.

"O Brasil tem um problema sério, que nós não conseguimos refinar a totalidade do que nós produzimos e aí temos que importar combustível", disse Mourão.

O Congresso tem 60 dias para analisar a MP, prazo prorrogável por mais 60. O recesso parlamentar, entre 23 de dezembro e 1º de fevereiro, pausa a contagem.

O que acontece agora

O subsídio de R$ 1 por litro do diesel segue valendo enquanto o petróleo permanecer pressionado pela guerra no Oriente Médio. A isenção de PIS/Pasep e Cofins sobre etanol e gasolina vale até 9 de outubro.

A pressão chega a duas semanas da votação do 1º turno das eleições de 2026, quando Lula concorre à reeleição.