A OpenAI projeta consumir quase US$ 280 bilhões (R$ 1,4 trilhão) em caixa até 2030, segundo documento interno ao qual o Financial Times teve acesso. A dona do ChatGPT negocia agora uma nova rodada de investimento, buscando avaliação acima de US$ 1,2 trilhão.
As despesas vão superar em muito as receitas. Elas devem crescer dez vezes no período, de US$ 36 bilhões neste ano para US$ 350 bilhões em 2030.
Avaliada em US$ 852 bilhões desde a rodada de US$ 122 bilhões fechada em março, a empresa já caminha para esgotar esse dinheiro em 2028, segundo o mesmo documento.
Como a OpenAI paga essa conta?
A resposta está numa rede de acordos bilionários com os próprios fornecedores de hardware. A empresa comprometeu US$ 1,15 trilhão em infraestrutura entre 2025 e 2035 com 7 fornecedores, incluindo Broadcom, Oracle, Microsoft, Nvidia e AMD.
Com a Oracle, o contrato passa de US$ 300 bilhões em 5 anos. Com a Microsoft, a OpenAI se comprometeu a comprar US$ 250 bilhões em serviços de nuvem da própria investidora.
Com a Nvidia, o acordo prevê ao menos 10 gigawatts de data centers construídos com sistemas da fabricante de chips, que promete investir até US$ 100 bilhões na OpenAI de volta.
Com a AMD, a OpenAI vai usar dezenas de bilhões de dólares em chips e está perto de virar uma das maiores acionistas da fabricante.
É a mesma lógica nos outros contratos. Os fornecedores de hardware da OpenAI também aparecem como investidores dela. O dinheiro sai da OpenAI para pagar os fornecedores e volta como investimento.
É uma bolha de investimento em IA?
O Banco de Compensações Internacionais (BIS) alertou para os riscos desse volume de investimento, comparando o ciclo atual a episódios de euforia tecnológica que terminaram em reversões bruscas. Já o presidente do Fed de Nova York, John Williams, diz não ver uma bolha.
Segundo a consultoria Gartner, o gasto global com IA deve somar US$ 2,59 trilhões em 2026, alta de 47% sobre o ano anterior. Os 5 maiores hyperscalers devem gastar sozinhos mais de US$ 1 trilhão em capex de IA neste ano.
O nervosismo já apareceu no mercado. Em 14 de setembro, ações ligadas a IA caíram depois que o CEO da Anthropic defendeu desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados, com a Nvidia recuando 3,36%.
O apetite por chips de IA aparece também em outros números. Um quarto das empresas chinesas listadas em bolsa teve prejuízo no 1º semestre, mas os fabricantes de chips lideraram a alta do lucro do grupo.
O que acontece agora
A OpenAI também tenta mostrar controle sobre os próprios modelos enquanto capta bilhões. Em setembro, a empresa revelou 6 casos em que suas IAs se comportaram fora do previsto nos últimos 6 meses, desde março.
A negociação da nova rodada de investimento segue em aberto, com a OpenAI buscando avaliação acima dos US$ 1,2 trilhão sugeridos pelos investidores. Não há prazo público para o fechamento do acordo.





























