O Brasil pode registrar cerca de 866 mil casos prováveis de dengue em 2027, segundo projeção divulgada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) na sexta-feira (6 de novembro). O número reúne o trabalho de mais de 130 pesquisadores de oito países.

A estimativa integra o Desafio de Previsão de Dengue IMDC (InfoDengue-Mosqlimate), que combina 22 modelos desenvolvidos por equipes de diferentes países. Os resultados foram apresentados em um webinário com a Fiocruz e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Agente de saúde em traje de proteção aplica fumacê contra o mosquito Aedes aegypti
Agente faz aplicação de fumacê contra o Aedes aegypti — Foto: Prefeitura de Olinda/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O intervalo de incerteza de 80% vai de 560 mil a 1,6 milhão de casos. O pico da doença é esperado em abril, com cerca de 40 mil casos na semana mais crítica, segundo a projeção.

O cenário é considerado semelhante ao dos últimos anos, apesar da expectativa de um "Super El Niño" muito forte no verão.

O mesmo fenômeno já derrubou telhados e parou a Fórmula 1 em São Paulo neste ano, e já afeta 4,56 milhões de brasileiros.

O que o El Niño muda na conta da dengue

O fenômeno climático pode alterar padrões de temperatura e chuva, criando condições favoráveis à reprodução do Aedes aegypti em algumas regiões. Mas só 3 dos 22 modelos usados pelos pesquisadores incorporaram variáveis climáticas às contas.

Por isso, os resultados divergem tanto na intensidade quanto na distribuição geográfica dos possíveis efeitos. Na Região Sul, as análises que consideram o aquecimento do Oceano Pacífico apontam uma temporada mais severa que a estimativa inicial.

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Os estados com tendência de alta nos casos, na comparação entre 2026 e 2027, são Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais.

"A dengue continuará exigindo atenção. É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção", disse Claudia Codeço, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, em comunicado.

O que acontece agora

Os mesmos cientistas projetam 90 mil casos de chikungunya no Brasil em 2027, transmitida pelo mesmo mosquito. É queda frente às 127 mil da temporada 2024-2025 e alta sobre as 76 mil de 2025-2026.

As orientações de prevenção contra os dois arbovírus são as mesmas: eliminar água parada e usar repelente.

Estados e municípios se preparam para intensificar a vigilância antes do verão. A vacina Qdenga segue sendo a única aplicada em crianças contra a dengue no país.