O Assaí identificou impacto positivo da proibição das bets no resultado de outubro. A rede teve alta de 3,9% nas vendas nas mesmas lojas no mês, ante crescimento de apenas 0,1% no acumulado do terceiro trimestre, segundo balanço divulgado na quinta-feira (5 de novembro).

Segundo o CEO da atacadista, Belmiro Gomes, houve aumento do tíquete médio e do fluxo de clientes nas lojas após 6 de outubro, dia seguinte ao prazo de retirada dos valores pelos apostadores. O movimento foi maior nas unidades voltadas a famílias de baixa renda.

"Se mantida a proibição, provavelmente as famílias terão um Natal mais forte, mais gordo esse ano", disse Gomes. Para ele, o veto às casas de apostas pode elevar a quantidade e a qualidade dos alimentos comprados.

"É um tema de saúde pública, não deve ser tratado como um tema comercial", afirmou o executivo.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) já havia constatado crescimento do varejo de alimentos em duas semanas de outubro, ante o mesmo período de 2025, atribuindo a alta à proibição dos jogos.

O movimento ocorre mesmo com o avanço do mercado ilegal de apostas em outras frentes, e acompanha a recuperação mais ampla do varejo brasileiro observada desde agosto.

Os números do trimestre

O Assaí encerrou o terceiro trimestre com lucro bruto de R$ 3,2 bilhões, 2,7% acima do mesmo período de 2025, com margem de 17,2% ante 16,7% um ano antes.

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A alavancagem financeira recuou de 3,03 vezes para 2,15 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda em 12 meses.

O diretor financeiro, Rafael Sachete, disse que a prioridade é reduzir ainda mais essa alavancagem: "Hoje, abaixo de 1,5 vez seria onde a gente estaria um pouco mais confortável para ir para um caminho de expansão de lojas".

Onde a empresa quer crescer

A companhia ampliou o investimento em farmácias: já são 11 unidades em São Paulo, com meta de chegar a 250. O Assaí aguarda liberação para vender alguns medicamentos, mas as canetas emagrecedoras já despontam entre as principais vendas da operação.

Em setembro, o grupo anunciou a compra de 18 postos de combustível em São Paulo, por até R$ 80 milhões, segundo fato relevante enviado à CVM. A meta de médio a longo prazo é chegar a cem postos.

A rede também acompanha a discussão sobre o fim da escala 6x1, que o setor de comércio tenta adiar no STF, com implementação da escala 5x2 prevista para dezembro.