A reeleição de Lula (PT) impediu que a onda de vitórias da direita na América do Sul também chegasse ao Brasil. Hoje, 8 dos 12 países do subcontinente são governados por líderes de direita, em meio ao avanço da influência dos Estados Unidos na região.

Com a vitória, quatro países sul-americanos seguem com lideranças de esquerda: Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela (esta sob comando interino de Delcy Rodríguez).

Do outro lado, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru têm governos de direita. Juntos, esses sete países somam 58,3% da população da América do Sul.

Durante a campanha, Flávio Bolsonaro se aproximou de lideranças de direita da região, sobretudo o argentino Javier Milei e o equatoriano Daniel Noboa, além de buscar o apoio público de Milei, que chegou a apostar na vitória do senador.

A relação do Brasil com os vizinhos deve mudar?

Fontes diplomáticas consultadas pelo Metrópoles avaliam que não. A expectativa é que o pragmatismo econômico prevaleça sobre as diferenças ideológicas, como já ocorreu no mandato de Lula iniciado em 2023.

Milei é hoje o único chefe de Estado da região que ainda não reconheceu a reeleição de Lula, depois de uma campanha marcada por ataques mútuos entre os dois.

No domingo (25), horas após o resultado, Lula recebeu ligações de líderes da região para parabenizá-lo, entre eles o paraguaio Santiago Peña e o chileno José Antonio Kast, recém-eleito no Chile, ambos de direita.

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Para a diplomacia brasileira, esses contatos mostram que Lula mantém relação amistosa com líderes de todo o espectro ideológico na região, independentemente de divergências políticas.

O cenário é o inverso do início do mandato anterior de Lula, em 2023, quando a maioria dos países da região tinha presidentes de esquerda. Três anos depois, ele governa cercado por uma maioria de direita.

A mudança no mapa regional, segundo a diplomacia brasileira, reflete o giro político da América do Sul como um todo, não uma ruptura nas relações bilaterais do país.