A opositora venezuelana María Corina Machado acusou Alejandro Betancourt, novo sócio dos Estados Unidos no petróleo da Venezuela, de corrupção escandalosa. Em entrevista no Panamá, ela disse que o empresário não seria parceiro viável caso assuma o poder no país.

Betancourt comanda a North American Blue Energy Partners (NABEP), que fechou acordo com o governo Trump para controlar cerca de um quinto das reservas de petróleo bruto da Venezuela. O Escritório de Capital Estratégico do Pentágono tem 35% de participação na empresa.

O Departamento de Estado americano pode comprar 20% da produção a preço de custo, além de acesso preferencial aos outros 80%. Foi a primeira vez que Corina se pronunciou publicamente sobre o empresário.

"É uma corrupção escandalosa", disse María Corina Machado sobre Alejandro Betancourt.

Um auditor independente do setor de energia venezuelano apontou que Betancourt fez fortuna com contratos sem licitação para usinas de energia, com superfaturamento de entidades estatais. É a base da acusação de Corina.

"Os EUA não facilitam o retorno de figuras da oposição. María Corina tem todo o direito de entrar em sua nação sempre que quiser voltar", respondeu um porta-voz do Departamento de Estado.

Um funcionário do governo americano, que falou sob anonimato, disse que a empresa de Betancourt foi escolhida por seu histórico de sucesso e que o acordo estará sujeito a auditorias rigorosas, segundo a versão oficial de Washington.

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Como o acordo chegou a Betancourt

Betancourt forneceu informações que ajudaram os EUA a cercar petroleiros sancionados que operavam na Venezuela, antes da captura do então presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Meses depois, fechou o acordo com o Pentágono.

A formalização, confirmada em agosto pela presidente interina Delcy Rodríguez, chancelou o desfecho que o governo Lula tentou evitar em janeiro, quando classificou a captura de Maduro como afronta à soberania venezuelana.

Segundo a Agência Brasil, o acordo abrange 17 campos estratégicos e dá aos EUA controle majoritário sobre 65 bilhões de barris de petróleo bruto venezuelano.

O que acontece agora

O Departamento do Tesouro dos EUA retirou a Venezuela da lista de países com restrição a investimento americano em 22 de outubro, quase dez meses após a captura de Maduro.

O caso também entrou na disputa do 2º turno no Brasil: aliados de Flávio Bolsonaro apontam que uma vitória dele facilitaria negócios brasileiros na Venezuela. Corina, por ora, segue sem autorização para voltar ao país.