As exportações agrícolas da Argentina para a União Europeia somaram US$ 1,92 bilhão entre maio e agosto, alta de 21% sobre a média dos últimos três anos, segundo a Secretaria de Agricultura do país. O dado é o primeiro balanço oficial do acordo Mercosul-UE.
O salto veio quatro meses após o acordo comercial entre o Mercosul, do qual o Brasil faz parte, e o bloco europeu entrar em vigor. Considerando só os produtos beneficiados pela redução de tarifas, o avanço argentino chega a 44%.
O Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) assinou o tratado com a União Europeia em janeiro, após 25 anos de negociação. A vigência provisória começou em maio deste ano.
O pacote foi fechado numa cúpula do Mercosul que reuniu o presidente argentino, Javier Milei, o uruguaio Luis Lacalle Pou, o paraguaio Santiago Peña, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O Brasil colheu resultado parecido no início da vigência. As exportações brasileiras para a UE cresceram R$ 10 bilhões nos dois primeiros meses do acordo, alta de 26% sobre 2025.
A alta foi puxada por café, mel, manga, máquinas e motores, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Os números acima refletem a disputa do Brasil por mercado alternativo. A busca por espaço na Europa ganhou força depois de os Estados Unidos aplicarem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob justificativa de desmatamento ilegal e pirataria.
Com a nova rota, a União Europeia virou alternativa concreta para reduzir a dependência do mercado americano.
O movimento se soma a outra frente de diversificação do Mercosul.
O acordo com a EFTA também entrou em vigor nesta quinta e já reduziu a tarifa do café brasileiro.
Quanto o Brasil pode ganhar com o acordo?
O Brasil pode ganhar até US$ 7 bilhões a mais em exportações com o acordo, projeta a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). A União Europeia já é o segundo maior destino do agronegócio brasileiro.
Produtos como soja, café, celulose e suco de laranja concentram as vendas do Brasil ao bloco. O país importa principalmente óleo de soja, bebidas e papel da Europa. Nos 11 primeiros meses de 2025, essas exportações somaram US$ 22,89 bilhões, segundo o Agrostat.
Na prática, o produtor de café, mel e frutas paga menos imposto para vender à Europa. O consumidor brasileiro paga menos tarifa por produtos importados do bloco, à medida que o cronograma de corte avança.
O que acontece agora
A redução de tarifas segue em curso. O acordo prevê eliminação gradual para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos importados pela União Europeia ao longo dos próximos anos.






























