A lista de medidas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de olho nas eleições alcançou R$ 290 bilhões, somando valores previstos para 2026 e 2027. O montante gera pressão sobre a dívida pública, segundo levantamento da Folhapress.
Em agosto, a dívida bruta do governo geral (DBGG) chegou a 82,9% do PIB, o maior patamar em cinco anos, com o total em R$ 11,1 trilhões, segundo dados do Banco Central. A alta foi puxada por juros nominais e variação cambial.
Cálculos preliminares da IFI (Instituição Fiscal Independente do Senado) apontam que o pacote pode gerar aumento de 1,2 ponto percentual na DBGG até o fim de 2027. Em junho, o órgão projetava o indicador em 86,4% do PIB em dezembro daquele ano.
O pacote reúne medidas de naturezas diferentes. Inclui o perdão de dívidas de MEIs e o Pix de R$ 5.000 para microempreendedores, a expansão do Pé-de-Meia para universitários e a tarifa zero no transporte público aos fins de semana.
Também entram subsídios aos preços de combustíveis, anunciados em março após a eclosão da Guerra no Irã e renovados ao longo dos últimos meses, além de linhas de crédito para socorrer setores econômicos, financiar casa própria e incentivar a compra de carros e caminhões.
O que diz o governo?
O Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) disse, em nota, que as iniciativas têm diferentes naturezas, fontes de financiamento e períodos de execução, e que por isso não deveriam ser somadas.
A pasta ressaltou que parte das ações é emergencial, para mitigar efeitos de guerras em curso.
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Nem todos os economistas concordam com essa leitura. Marcos Mendes, pesquisador do Insper, critica a falta de embasamento técnico do pacote.
Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora, diz que o efeito conjunto das medidas é negativo para as contas públicas, mesmo que cada uma tenha origem distinta.
Alexandre Seijas, diretor da IFI, alerta para o risco de agravamento da trajetória da dívida pública, que já bateu recorde em outro indicador, divulgado em setembro.
O que acontece agora
Economistas calculam que o próximo governo eleito precisará de um ajuste fiscal de pelo menos R$ 250 bilhões para estabilizar a trajetória da dívida. Sem esse esforço, dizem, investidores tendem a cobrar juros mais altos para financiar o país.
Na semana de 15 de outubro, a taxa do DI para janeiro de 2031 subiu e o dólar fechou em alta pela terceira vez seguida, cotado a R$ 5,087.
Analistas atribuíram o movimento à combinação do risco político do 2º turno com o anúncio das novas medidas do pacote.





























