A oposição venezuelana ratificou, neste domingo (18), María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz 2025, como sua líder única, em um "Grande Acordo Nacional" apresentado em Caracas, com 14 propostas de redemocratização. O documento não fixa data de eleição no país.
Os membros da Plataforma Unitária concordaram em "reconhecer e apoiar a liderança de María Corina Machado", que está exilada no Panamá, segundo o texto final apresentado ao fim de uma reunião em Caracas.
"Vamos avançar agora em uma das iniciativas que, para mim, é das mais poderosas, potentes e necessárias (...), que é o nosso grande acordo para a reconstrução da República", disse Machado em vídeo transmitido durante o ato.
Quem negocia a transição?
Quem negocia a transição em Caracas não é a oposição de Machado: é o governo interino chavista, chefiado por Delcy Rodríguez, que assumiu em janeiro, quando os EUA capturaram o então presidente Nicolás Maduro.
Essa negociação segue um plano de três fases atribuído ao secretário de Estado americano, Marco Rubio: estabilização, recuperação econômica e transição. Machado denunciou, na semana passada, ter sido excluída dessas conversas pelo governo Trump.
O Departamento de Estado dos EUA reiterou apoio "a cem por cento" às conversas com o governo interino em Caracas, segundo a agência Infobae. Não houve reação pública de Delcy Rodríguez ao acordo opositor de hoje.
É a mesma Delcy que um chanceler do Uruguai chamou de tão ilegítima quanto Maduro, em entrevista recente.
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Os números ajudam a entender por que o acordo pede a "libertação total e incondicional dos presos políticos" e o fim da "repressão política" como condição para a transição, ao lado do retorno de exilados e da anulação de inabilitações contra partidos.
Como Machado chegou a esse ponto?
Machado liderou a oposição na eleição presidencial de 28 de julho de 2024, quando o conselho eleitoral controlado por Maduro proclamou a vitória dele sem divulgar atas por mesa de votação.
A oposição publicou mais de 70% das atas do sistema automatizado, que segundo ela comprovam a vitória do candidato opositor Edmundo González Urrutia. Para a oposição, essas atas são a prova de um resultado que o regime nunca reconheceu.
Depois disso, Machado passou cerca de 11 meses escondida na Venezuela, por ameaças à vida, antes de deixar o país em dezembro de 2025 para receber o Nobel da Paz na Noruega. Hoje vive discretamente no Panamá e promete voltar à Venezuela.
O ponto em aberto
O acordo deste domingo consolida Machado como interlocutora única da oposição, mas não resolve quem, de fato, conduz a transição: o governo interino chavista negocia com os EUA, e Machado diz estar fora dessa mesa.
O documento também não cria um calendário eleitoral. O partido de Machado defende eleições em 2027, mas essa data ainda não é compromisso de nenhum dos lados sentados nas negociações de Caracas.





























