Reuters e Washington Post apontam que o próximo presidente do Brasil assumirá em 2027 com três desafios simultâneos. São eles: uma cadeira vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), a dívida pública a caminho de 83,8% do PIB e a escolha de alinhamento com Trump.
O Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF em abril, e a cadeira segue vazia desde então. A Reuters chama de a mais longa vacância desde a redemocratização, com novas vagas a caminho pela aposentadoria compulsória de ministros atuais.
A dívida pública soma hoje 78,6% do PIB e deve chegar a 83,8% em 2026, segundo projeção citada pela Gazeta do Povo.
O próximo presidente vai precisar de uma "terapia de choque" a partir de 2027 para evitar o colapso das contas públicas, afirma o banco suíço UBS.
A causa estrutural é o crescimento automático das despesas obrigatórias. A maior parte das aposentadorias e benefícios é corrigida pelo salário mínimo, que tem aumento real garantido. Com o envelhecimento da população, esse mecanismo consome quase todo o orçamento e acelera a dívida pública.
A terapia de choque sugerida pelo UBS envolveria reforma da previdência, mudança na regra de reajuste do salário mínimo, desvinculação de saúde e educação da receita e reforma administrativa.
Lula x Flávio: o que muda na relação com Trump
Muda o alinhamento do Brasil com Washington. O Washington Post chama a eleição de o maior teste da tentativa de Trump de reafirmar o domínio dos Estados Unidos na América Latina, com Lula e Flávio em posições opostas.
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Flávio defende alinhamento mais próximo com Trump e apoia classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, à moda americana. Lula já confrontou Washington no primeiro mandato e se opõe a essa classificação.
A pressão já chegou ao Congresso americano: senadores dos EUA cobraram Trump por um compromisso com a lisura da eleição brasileira.
The Guardian e o El País tratam o resultado como teste para um bloco latino-americano pró-Trump: a reeleição de Lula manteria a postura independente do país, e uma vitória de Flávio poderia reforçar o alinhamento conservador na região.
O que acontece agora
O segundo turno entre Lula e Flávio seguiu em empate técnico nas últimas pesquisas antes da votação deste domingo (4), e o resultado definirá qual dos dois cenários prevalece nas relações com Washington.
A posse do eleito, marcada pela Constituição para o início de 2027, é quando esses desafios deixam de ser promessa de campanha e passam a cobrar resposta imediata.





























