O prazo para os clubes de futebol brasileiros retirarem patrocínios de casas de apostas das camisas, dos estádios e das redes sociais termina nesta segunda-feira (5), por determinação da Medida Provisória 1.394, assinada pelo presidente Lula no fim de setembro.

A partir desta terça-feira (6), sites e aplicativos de apostas de quota fixa saem do ar no país. Catorze clubes da Série A têm ou tiveram contrato com casas de apostas em 2026.

Torcida em arquibancada lotada acompanha jogo de futebol à noite sob holofotes
Torcida em estádio de futebol brasileiro, em foto de arquivo sem relação direta com os clubes citados — Foto: Oliveirar99/Wikimedia Commons via Openverse (CC BY-SA)

Os patrocínios de bets movimentaram R$ 1,14 bilhão entre os clubes da Série A em 2025, segundo levantamento do Meio & Mensagem.

A TV Sim Brasil já havia estimado uma perda de R$ 2,5 bilhões para o futebol brasileiro, num cenário mais amplo.

Os maiores contratos em jogo: o Flamengo recebe R$ 268,5 milhões por temporada da Betano até 2028, e o Corinthians, entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões ao ano da Esportes da Sorte até 2029.

O Palmeiras tem acordo com a Sportingbet de R$ 100 milhões fixos por ano, mais até R$ 70 milhões em bônus por gols e títulos, até o fim de 2027. O Vasco, também patrocinado pela Sportingbet, pode receber cerca de R$ 165 milhões até 2027.

O chefe da Sportingbet para a América Latina, Antonio Forjaz, disse que a proibição total pegou a empresa de surpresa.

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Recebemos com certa surpresa. Uma proibição total não era algo que a gente considerava.

Forjaz afirmou que a Sportingbet "não quer virar as costas para o Brasil" e que acredita que "o mercado regulado é a resposta certa". A maioria da população brasileira aprova a proibição das bets, segundo pesquisa divulgada antes da sanção da medida.

O que muda para o torcedor

Quem já comprou a camisa com a marca de aposta pode continuar usando. A proibição recai sobre quem anuncia, não sobre o consumidor que veste um uniforme comprado antes do prazo.

O que acontece agora

O Fluminense, que tinha contrato em vigor, afirmou ter seis meses de estoque de camisas com a marca do patrocinador. O clube já havia pedido um período de transição à Justiça, alegando que o fim abrupto gera prejuízos.