O ministro Gilmar Mendes comemorou neste sábado (26) a decisão do MPF de arquivar o pedido de investigação contra o procurador-geral Paulo Gonet no caso do Banco Master. Na sessão de sexta (25), os conselheiros também rejeitaram, por unanimidade, seu afastamento das apurações.

A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, ontem, confirma o que já se sabia. Nada havia que impedisse o Procurador-Geral de seguir atuando nos processos do Banco Master, muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público.

Gilmar também criticou, sem citar nomes, o vazamento de conversas investigadas pelo ministro André Mendonça, relator dos inquéritos do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele chamou de “desproporcional” o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, decidido por Mendonça em setembro. Segundo Gilmar, a reversão evitou “danos maiores” de decisões “tomadas de afogadilho”.

“A Paulo Gonet, reafirmo minha solidariedade”, escreveu o ministro, citando a “lisura de um homem íntegro” e os mais de 20 anos de serviço de Andrei Rodrigues à segurança pública.

Qual é a relação entre Gilmar e Gonet?

Gilmar e Gonet foram sócios fundadores do IDP em 1998, ao lado do ex-procurador-geral Inocêncio Coelho. Gonet vendeu sua participação, em 2017, ao filho do ministro, Francisco Schertel Mendes. Ele hoje administra a instituição ao lado do pai.

A venda, segundo reportagens, girou em torno de R$ 12 milhões. Em 2023, o instituto fechou parceria com a CBF para gerir a CBF Academy, no mesmo período em que Gilmar relatava processos da entidade.

Gilmar votou para manter Ednaldo Rodrigues na presidência da CBF em janeiro de 2024, e a PGR, comandada por Gonet, arquivou depois um pedido para investigá-lo por causa dessas decisões.

Críticos do STF apontam a sobreposição de papéis entre os dois. Gilmar decide casos de interesse de aliados, Gonet ocupa a Procuradoria-Geral, e o IDP intermedeia contratos entre eles.

Questionado sobre o contrato com a CBF, Gilmar negou conflito. “Não há conflito de interesse quanto a essa matéria”, disse, classificando o acordo como “um contrato de direito privado gerido pela direção do IDP”.

O caso do Banco Master, com Mendonça como relator, é apontado como o maior rombo financeiro da história do país.

O pedido de afastamento de Gonet partiu de delegados da Polícia Federal, em setembro.

O que acontece agora

O caso do Banco Master segue com Mendonça como relator no STF, e a extensão do juiz de garantias à Corte, defendida por Gilmar, ainda não tem data para votação. A disputa entre os dois ministros sobre o caso está longe de terminar.