O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decide nesta sexta-feira (25) se investiga a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em processos do Banco Master, a partir de mensagens de Daniel Vorcaro que o citam, extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro.
Nicolao Dino, subprocurador-geral da República e irmão do ministro do STF Flávio Dino, preside a sessão porque Gonet está impedido de participar da análise de um procedimento sobre sua própria conduta. Ele assumiu a vice-presidência do CSMPF em 1º de setembro.
As mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro pela PF. Elas incluem uma ligação de 3 minutos e 49 segundos entre os dois, em março de 2025, e uma foto juntos num evento em Londres, em abril de 2024.
Em abril de 2024, o ex-advogado do Banco Master, Ciro Soares, disse que "Gonet é firme" e que "amizade é tudo".
Gonet já negou proximidade com o ex-banqueiro em depoimento ao STF.
Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024.
Segundo o procurador-geral, a única ligação entre os dois foi "muito breve e banal" e intermediada por um advogado. Em carta ao Conselho, Gonet se disse "juridicamente plenamente apto para a atuação desinibida e livre nos procedimentos envolvendo o Banco Master".
Como funciona a sessão de hoje
A sessão de hoje é pública e será transmitida ao vivo pelo YouTube do CSMPF, depois de o senador Carlos Viana (PSD-MG) questionar se ocorreria em sigilo. O relator vota primeiro, e os demais seguem em ordem inversa de antiguidade.
O colegiado tem três caminhos possíveis: designar um subprocurador-geral para investigar a conduta de Gonet, arquivar a representação por falta de elementos, ou debater se ele deve se declarar suspeito nos casos do Banco Master.
O que acontece agora
Se o colegiado designar um investigador, ele vai analisar o material das mensagens e, havendo fundamento, poderá propor uma ação penal contra Gonet. A sessão também pode ser interrompida se algum conselheiro pedir mais tempo para analisar o caso.
A avaliação de analistas ouvidos pela imprensa é que o colegiado não deve declarar a suspeição de Gonet nesta sessão. Designar um investigador não significa que Gonet tenha cometido crime, nem implica seu afastamento do cargo.
O mesmo avião apareceu em outro episódio do caso Master. Em janeiro de 2025, ele levou o senador Flávio Bolsonaro e a família da Flórida a Brasília, meses antes de o ministro do STF Alexandre de Moraes e a mulher, Viviane Barci, embarcarem nele.
O caso é um novo capítulo da crise que a liquidação do Banco Master abriu dentro do próprio sistema de Justiça, com PF, MPF e STF cruzando investigações sobre o mesmo ex-banqueiro.





























