O ministro do STF Gilmar Mendes afirmou que a exposição do procurador-geral Paulo Gonet no caso do Banco Master causou um dano reputacional que considera irreversível. A crítica vem um dia depois de o CNMP rejeitar, por 5 votos a 4, investigação contra Gonet.

O caso envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, alvo de investigação da Polícia Federal. Mensagens encontradas no celular dele mencionavam Gonet, e uma foto mostrou os dois fumando charuto em Londres.

Ministros do STF sentados na sessão do plenário
Sessão do plenário do STF (foto de arquivo). Foto: José Cruz/ABr/Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

A TV Sim Brasil já mostrou que Gonet negou proximidade com Vorcaro após as mensagens virem à tona, e que ele confirmou o encontro em Londres.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal rejeitou a abertura de investigação contra Gonet por 5 votos a 4 e manteve o procurador-geral à frente dos processos do Banco Master. Gonet nega proximidade com Vorcaro e descreve o contato como breve e sem caráter profissional.

O que Gilmar Mendes disse sobre o caso?

"Nada havia que impedisse o procurador-geral de seguir atuando nos processos do Banco Master", disse Mendes, ao classificar de "reparo tíbio e conveniente" a solução encontrada depois da decisão do CNMP, tomada por maioria apertada de um voto.

"Levanta-se o sigilo, submete-se a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais", criticou o ministro, referindo-se à divulgação dos documentos do caso. Para Mendes, esse dano reputacional já estava consumado quando o CNMP decidiu.

Ser inocentado depois, para o decano do STF, não desfaz o estrago causado enquanto a investigação corria.

Por que Mendonça foi citado na crítica?

O ministro André Mendonça, relator original do processo no STF, retirou o sigilo dos documentos da investigação, decisão que permitiu a exposição do nome de Gonet antes de qualquer conclusão sobre o caso.

Mendes classificou os vazamentos de "seletivos" e questionou o momento da divulgação, que, segundo ele, ganhou força conforme avançava o ciclo eleitoral. O ministro também chamou de "desproporcional" o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal por Mendonça, que alegou irregularidades na condução do órgão.

Para entender a origem da crise, a TV Sim Brasil explica o que é o Caso Banco Master e como ele chegou ao STF.