O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve assinar nesta sexta-feira (25) uma medida provisória que proíbe todos os tipos de aposta online no Brasil, incluindo apostas esportivas e jogos de cassino como o Tigrinho, em ato marcado para São Paulo.
A decisão foi fechada em reunião com ministros no Palácio da Alvorada, nesta quarta-feira (23).
"Essa não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets. Os times que aprendam a viver sem lavagem de dinheiro", disse Lula.
A MP deve ser publicada em edição extra do Diário Oficial ainda nesta sexta, ou, no mais tardar, na segunda-feira (28). O texto proíbe apostas esportivas e cassino online, a linha mais dura entre as opções que o governo avaliou.
O governo hesitou semanas antes de bater o martelo sobre qual caminho seguir.
Qual é o impacto para os clubes de futebol?
Empresas de apostas pagam mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínio a clubes da Série A. Mais da metade dos 20 times tem uma bet como patrocinadora, entre eles Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Fluminense, Botafogo e Cruzeiro.
A proibição chega na reta final do Brasileirão e ameaça o principal patrocínio de mais da metade dos times da Série A.
Clubes, federações e sindicatos de atletas já haviam divulgado manifesto conjunto contra a proibição, afirmando que "se o mercado regulado acabar, o futebol acaba".
A crise também entrou na disputa eleitoral. A nove dias do primeiro turno, o rival Flávio Bolsonaro (PL) atribuiu a Lula a responsabilidade pelo endividamento de apostadores, chamando-o de "pai do Tigrinho".
Pesquisas citadas pelo governo indicam que cerca de 75% da população apoia a proibição das bets, argumento usado por Lula para justificar a medida mais dura.
Empresas de apostas pagaram R$ 30 milhões em outorgas para operar no país e podem buscar indenização judicial caso a proibição total avance. Ainda não está definido o que acontece com saldos e apostas já registrados nas plataformas.
O que acontece agora
Depois da publicação da MP, o Congresso tem até 120 dias para aprová-la, rejeitá-la ou deixá-la perder a validade. O governo também prepara projetos de lei para endurecer penas contra a promoção de jogos ilegais.





























