O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que vai avaliar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mudado para os Estados Unidos, pode seguir votando remotamente no Senado. Ele votou de lá na PEC da Segurança, na terça-feira (3 de novembro).

Flávio participou da sessão porque ela foi convocada em formato semipresencial, que permite registrar presença e votar pelo aplicativo do Senado. Ele deixou o Brasil com a família na semana anterior à votação.

O líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), cobrou explicações de Alcolumbre sobre se Flávio informou oficialmente a Casa da viagem e pediu a anulação do voto dele.

Vou convocar nossos assessores para avaliar, à luz dos regimentos do Senado.

A frase é de Alcolumbre. O artigo 39 do Regimento Interno do Senado exige que o senador comunique à presidência da Casa ausências internacionais e a duração delas.

Publicidade

Segundo Randolfe, Flávio justificou a mudança para os Estados Unidos alegando viver sob perseguição política, mas segue participando das sessões remotamente.

Alcolumbre também sinalizou a aliados de Flávio que pretende proteger o restante do mandato dele. Indicou nos bastidores que não vai dar andamento a pedidos de cassação apresentados por parlamentares do PT.

Por que Alcolumbre protege Flávio?

A proteção tem cálculo político: a reeleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027, e Alcolumbre busca o apoio do PL, cujo candidato ao comando da Casa é o senador Rogério Marinho (RN).

Mesmo assim, integrantes do PL não devem votar em Alcolumbre, segundo o relato. O gesto funciona mais como aceno político do que como garantia de apoio formal do partido.

Flávio já contava com apoio de boa parte da Casa antes da mudança para os EUA. Um levantamento de outubro mostrou apoio de 6 em cada 10 senadores a Flávio entre os que têm mandato garantido para 2027.

Publicidade

O que acontece agora

Os assessores de Alcolumbre ainda vão definir, à luz do regimento, se Flávio poderá votar remotamente nas próximas sessões do Senado. Os pedidos de cassação apresentados pelo PT seguem na Mesa Diretora, sem data prevista para julgamento.

O PSOL já havia pedido a cassação de Flávio por abandono de cargo, pedido ao qual os requerimentos do PT agora se somam.

O caso começou quando Flávio votou remotamente dos Estados Unidos na PEC da Segurança, o episódio que levou Randolfe a cobrar explicações de Alcolumbre.