A Binance afirmou, na terça-feira (3 de novembro), que os hackers que furtaram US$ 6,3 bilhões da corretora usaram falsas entrevistas de emprego para induzir um engenheiro de software a instalar código malicioso. A técnica abriu caminho para saques não autorizados na plataforma.

Segundo a empresa, em nota: "Não se tratou de uma única violação isolada nem de um simples caso de phishing. Os invasores combinaram uma série de técnicas, incluindo falsas entrevistas de recrutamento, downloads de softwares maliciosos e outros métodos."

O FBI atribuiu o ataque, do dia 29 de outubro, ao governo da Coreia do Norte e a um grupo patrocinado pelo Estado conhecido como TraderTraitor. Os norte-coreanos negam a autoria.

O episódio mostra como engenharia social sofisticada já supera as defesas técnicas de grandes corretoras. A Binance chamou o caso de o maior roubo de criptomoedas da história.

Camiseta e bolsa com a marca Binance, corretora de criptomoedas

Como a falsa entrevista funcionou

Em setembro, um engenheiro da Binance foi contatado numa plataforma de empregos por alguém que dizia ser diretora de projetos de uma empresa, depois revelada falsa. Ele participou do que acreditava ser uma entrevista real.

O entrevistador compartilhou um perfil em rede social, "incluindo fotos e vídeos pessoais publicados na plataforma, com o objetivo de conquistar confiança", disse a Binance. A empresa chamou o episódio de mais avançado que abordagens de engenharia social anteriores.

Numa segunda entrevista, por aplicativo de mensagens, o suposto recrutador instruiu o engenheiro a baixar uma "tarefa" do processo seletivo. O arquivo continha o código malicioso que não foi detectado pelos sistemas da corretora.

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A brecha deu aos invasores acesso a ferramentas internas de inteligência artificial da Binance, usadas para assumir controle de parte dos sistemas. Em junho, outro engenheiro já havia baixado um programa adulterado, episódio que a empresa diz ter detectado e contido a tempo.

O que acontece agora

A Binance já liberou saques em mais seis redes depois do ataque. A corretora não detalhou que mudanças fará no processo de contratação para evitar casos semelhantes.

O caso reforça a atribuição dos Estados Unidos à Coreia do Norte pelo ataque, que já é tratado como o maior roubo de criptomoedas da história.