Durante o debate da TV Globo desta sexta-feira (23), Flávio Bolsonaro chamou Lula de "pai do Tigrinho", e o presidente devolveu a acusação. O histórico da liberação do jogo passa por três presidentes diferentes: Michel Temer, Jair Bolsonaro e o próprio Lula.

A troca ocorreu quando Lula questionou Flávio sobre ensino integral. Ele respondeu citando "Lulinha" e o Tigrinho como "2 filhos" de Lula que "fizeram muito mal ao país".

"Ele é o pai do Tigrinho, ele é o pai do cassino on-line. Ele criou, ele liberou. Aí, chegando perto da eleição, ele vai e cancela, achando que vai enganar você", disse Flávio, ao criticar a proibição decretada pelo presidente em 2026.

O cinismo é uma coisa absurda. O Tigrinho foi criado por vocês em 2022. Não só o seu pai é o pai do Tigrinho, como você é o irmão. Está no mesmo DNA.

Lula completou pedindo que Flávio explicasse suas propostas para a educação, tema da pergunta original.

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Quem liberou o Tigrinho de verdade?

Três governos tiveram parte na liberação do cassino online. Michel Temer legalizou as apostas esportivas em 2018, sem incluir cassino. Jair Bolsonaro deixou o prazo de regulamentação vencer em 2022, período em que o Tigrinho passou a operar sem licença alguma.

Lula sancionou a Lei 14.790 em dezembro de 2023, que formalizou o mercado e incluiu o cassino online por decisão da Câmara, que restabeleceu a modalidade por 261 a 120 votos depois de o Senado tentar retirá-la.

Flávio votou contra a inclusão do cassino online em 2023 e apoiou uma emenda para restringir as apostas a eventos esportivos reais. A emenda foi aprovada no Senado, mas revertida pela Câmara.

Quem hoje chama o adversário de "pai do Tigrinho" foi o único, entre os três, a votar contra o cassino online quando teve a chance de barrá-lo.

O Ministério da Fazenda exige certificação técnica para cada jogo, e o Tigrinho nunca teve essa autorização formal, mesmo durante os dois anos em que o mercado esteve regulado.

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Não é a primeira vez que Flávio usa a comparação. Ele já havia chamado Lula de "pai do Tigrinho" um mês antes, ao cobrar responsabilidade por dívidas de apostadores.

Lula, por sua vez, assinou a medida provisória que proibiu as bets em 25 de setembro, determinando que as plataformas saíssem do ar até 6 de outubro.

O que acontece agora

A Medida Provisória 1.394/2026 ainda precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para não perder validade. O ministro Luiz Fux, do STF, deve decidir o futuro das ações contra a norma só depois do 2º turno, marcado para domingo (25/10).