Lula chamou Flávio Bolsonaro de miliciano no debate presidencial da TV Globo nesta sexta-feira (23), depois de o senador dizer que o salário mínimo "tira com os nove dedos". O presidente cobrou desculpas e citou o próprio acidente de trabalho aos 17 anos.

A provocação veio de uma crítica ao reajuste do salário mínimo: "Não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos", disse Flávio. Lula reagiu na sequência.

Se tem alguém aqui nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando da noite quando não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos.

O presidente completou dizendo que Flávio "nunca trabalhou na vida" e chamou o adversário de "granfino" e de prática política "muito duvidosa". Exigiu desculpas formais.

Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em 1964, quando trabalhava como torneiro mecânico numa metalúrgica em São Bernardo do Campo (SP). Uma prensa atingiu sua mão no turno da noite, antes de sua trajetória como dirigente sindical.

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A expressão "nove dedos" é usada há décadas para provocá-lo.

Não é a primeira vez que Lula usa o termo nesta campanha. Ele já havia chamado Flávio de miliciano no debate da Band, em 18 de outubro, e depois recuou publicamente da fala. No debate desta sexta, repetiu a acusação ao vivo.

Flávio defendeu a crítica sobre o salário mínimo. "Como é que pode alguém querer ser presidente da República de um país, e ele sequer sabe quanto seria o salário mínimo se a prática do reajuste fosse a que eles adotaram?", disse.

Prometeu reajustar o piso acima da inflação se eleito. A troca reuniu, no mesmo bloco de falas, a provocação mais pessoal do debate e o pedido de desculpas mais direto entre os dois candidatos.

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Ao final da fala, Flávio recuou da ofensa pessoal. "Lula, se eu te ofendi por ter te chamado de nove dedos, eu te peço desculpas, de verdade. Não queria te ofender", disse. Ele não comentou ter sido chamado de miliciano pelo presidente.

O que acontece agora

O debate desta sexta foi o último entre os dois candidatos antes do 2º turno, marcado para domingo (25/10). Lula e Flávio não têm mais encontros públicos programados até a votação.

A partir de agora, a disputa segue só pela propaganda eleitoral e pelas redes de cada campanha.