Diplomatas estrangeiros em Brasília avaliam reconhecer rapidamente quem vencer o 2º turno da eleição presidencial, neste domingo (25), para evitar que alguém de fora do país declare vitória antes da apuração oficial. A informação é de quatro embaixadores ouvidos pela agência Reuters nesta sexta-feira (23).
Segundo a Reuters, as missões diplomáticas ainda não formalizaram um plano e seguem discutindo com seus governos qual é a melhor forma de agir no dia da votação. O objetivo declarado é blindar o resultado contra qualquer tentativa externa de antecipar um vencedor.
Por que o receio recai sobre Trump?
O receio recai sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, porque dois dos quatro embaixadores temem que ele, ou seu governo, questionem o resultado caso o presidente Lula vença por margem estreita. O temor tem precedente recente.
Não me surpreenderia se Trump ou Milei declarassem Bolsonaro vencedor antes mesmo das autoridades eleitorais
A frase é de um embaixador que falou à Reuters sob condição de anonimato, dada a sensibilidade do tema. Segundo ele, um reconhecimento prematuro poderia levar a uma crise institucional que ninguém deseja.
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O precedente citado por outro diplomata é a eleição de 2025 em Honduras. Em meio a atrasos na apuração, Trump alegou fraude sem apresentar provas e disse que haveria "consequências terríveis" caso o país alterasse os resultados preliminares.
O Departamento de Estado dos EUA e a embaixada americana em Brasília não responderam às perguntas da Reuters sobre se Trump se comprometeria a reconhecer o vencedor anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O TSE também não respondeu ao pedido de comentário da agência.
Quem fiscaliza oficialmente o resultado do domingo?
Quem fiscaliza oficialmente o resultado são sete missões internacionais credenciadas pelo TSE: União Europeia, Organização dos Estados Americanos, Parlamento do Mercosul, Carter Center e mais três entidades ligadas a países de língua portuguesa, à Liga Árabe e às Américas.
O TSE negou credenciamento a outras 14 entidades internacionais ligadas a grupos políticos estrangeiros, mas manteve as sete missões institucionais. Elas acompanham os procedimentos da Justiça Eleitoral, da votação à apuração, e publicam relatório com análises ao final do trabalho.
Esse canal formal funciona em paralelo ao movimento informal dos embaixadores em Brasília. Lula e Flávio Bolsonaro chegam empatados à reta final, com 50% dos votos válidos cada um na pesquisa Datafolha mais recente.
A desconfiança sobre a posição de Washington não é nova. A bancada democrata do Senado dos EUA já cobrou Trump por um compromisso com o processo eleitoral brasileiro.
O presidente americano chegou a elogiar a eleição no Brasil sem se comprometer com a neutralidade cobrada pelos democratas.
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Um ex-assessor de Trump já havia dito, antes do 2º turno, que o presidente americano poderia não reconhecer o resultado se Lula vencesse a eleição.
O que acontece agora
A votação do 2º turno ocorre neste domingo (25), das 8h às 17h. Após o fechamento das urnas, o TSE anuncia o resultado oficial.
É esse anúncio que os embaixadores querem reconhecer sem demora, para fechar a janela de qualquer declaração prematura vinda de fora do país.































