Chucky, Tiffany, Annabelle e Fofão são bonecos que despertaram medo em quem cresceu entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 2000. Até hoje, eles marcam presença em fantasias de Halloween e maratonas de filmes de terror dedicadas à data.
Para algumas pessoas, esse medo vai além da ficção. A psicologia chama o fenômeno de pediofobia, que classifica quem tem aversão a traços reais em bonecos, manequins e figuras caricatas.
"O medo intenso bagunça os sentidos de interação, percepção, atenção, memória, aprendizagem e regulação emocional", explica a neuropsicóloga Luciana Xavier, à CNN Brasil.
O estímulo e o contato passam a ser interpretados como ameaça e mobilizam respostas de defesa. Ao fugir, a pessoa sente alívio, o que pode fortalecer o desvio e dificultar novas experiências.
Por que o cérebro reage assim
A pediofobia se enquadra nos transtornos de ansiedade. Quanto mais um boneco se parece com um humano real, sem ser perfeito, mais o cérebro percebe pequenas falhas, como na pele, nos olhos e nos movimentos.
Essa reação é descrita pela teoria do "Vale da Estranheza", criada pelo japonês Masahiro Mori em 1970. A proximidade quase humana, mas imperfeita, provoca repulsa em vez de empatia.
O peso da vergonha
Segundo Xavier, o sofrimento de quem tem pediofobia pode ser agravado pela vergonha. A pessoa evita lojas, visitas e festas onde imagina encontrar bonecos, e esconde a dificuldade por medo de ser ridicularizada.
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Comentários como "isso é bobagem" desconsideram uma reação que a pessoa não consegue simplesmente desligar, mesmo sabendo, racionalmente, que o boneco não representa perigo real.
Existe tratamento?
Xavier recomenda a terapia cognitivo-comportamental com exposição terapêutica, a mesma abordagem usada no tratamento de outras fobias específicas, como o medo de agulhas. A exposição é planejada em conjunto com o paciente e começa por situações mais fáceis.
O tema ganha força todo outubro, quando o setor de celebrações no Brasil aquece com fantasias e decorações de Halloween, data que também rendeu turnê temática de Pabllo Vittar neste ano.































