O nome do ex-banqueiro Marcelo Kayath, cotado para o Ministério da Fazenda num eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), incomoda apoiadores do candidato. Kayath apoiou publicamente o presidente Lula (PT) em 2022 e criticou a gestão do ex-ministro Paulo Guedes.

Ex-executivo do Credit Suisse e hoje sócio da gestora QMS Capital, Kayath se aproximou de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Nesta eleição, passou a apoiar Flávio e organizou encontros do candidato com banqueiros e investidores em São Paulo.

As críticas mais lembradas são de julho de 2021, quando Kayath avaliou a gestão do então ministro Paulo Guedes ao jornal Valor Econômico.

A Faria Lima gosta de se iludir

O comentário, feito ainda sob o governo Jair Bolsonaro, hoje mira o próprio campo político que tenta recrutar Kayath para substituir Guedes numa eventual gestão Flávio.

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Na mesma entrevista, Kayath disse que Guedes "criou uma percepção a curto prazo e todo mundo ficou animado, mas a realidade chegou depois de um tempo". Completou que via a situação "com bastante preocupação".

Em 2022, porém, o próprio Kayath declarou voto em Lula e participou de atos empresariais a favor do petista, dizendo ao mesmo jornal que "o problema é fiscal e, nesse ponto, Bolsonaro oferece muito mais riscos do que Lula".

Outros nomes no radar

Kayath não é o único cotado. A Bloomberg Línea lista também Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional e hoje economista-chefe do BTG Pactual, considerado referência em política fiscal e que ajudou a conduzir o teto de gastos no governo Jair Bolsonaro.

Também aparecem Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central e hoje no conselho do Nubank, e Alexandre Bettamio, copresidente do Bank of America para banco de investimento global. São quatro nomes no radar, e nenhuma decisão foi tomada, segundo a reportagem.

A economista Daniella Marques, que Flávio trouxe para a equipe de campanha, segue cotada para outras funções.

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A mesma equipe avalia mudanças na política previdenciária que afetam o INSS, tema que a campanha trata separadamente.

O que acontece agora

Flávio ainda não indicou nome definitivo para a Fazenda. O imbróglio em torno de Kayath expõe uma tensão da campanha, que tenta atrair o mercado financeiro sem perder apoiadores que rejeitam qualquer ligação com adversários do petismo.

A escolha deve sinalizar qual ala prevalece: a mais próxima do mercado, representada por Kayath, Campos Neto e Bettamio, ou uma linha fiscal mais ortodoxa, como a de Mansueto Almeida. Flávio já defendeu publicamente uma regra fiscal com gatilho automático para corte de gastos.