Aliados do presidente Lula (PT) avaliam que, se ele for reeleito no 2º turno de 25 de outubro, terá de governar mais ao centro, sem força política para aprovar pautas de esquerda, diante da configuração mais adversa do Congresso eleito na semana passada.

A avaliação foi relatada à Folha de S.Paulo por integrantes do PT, sem atribuição direta ao presidente. Segundo políticos de seu entorno, Lula está concentrado na disputa contra Flávio Bolsonaro e ainda não começou a desenhar um eventual novo mandato.

O Congresso eleito em 4 de outubro é mais hostil ao PT. O bloco conservador soma 258 das 513 cadeiras da Câmara e 48 das 81 do Senado. Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o 1º turno em 2º lugar venceu o 2º turno.

Lula ao lado de Davi Alcolumbre e Hugo Motta em evento oficial
O presidente Lula com Davi Alcolumbre (Senado) e Hugo Motta (Câmara) — Foto: Lula Oficial/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A prioridade dos aliados de Lula seria reconduzir Hugo Motta (Republicanos-PB) à Câmara e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao Senado. A situação de Alcolumbre seria mais difícil, já que o Senado foi onde a oposição mais se fortaleceu.

Publicidade

Lula chegou a dizer à imprensa que Motta vai ajudá-lo a ganhar a eleição, depois de se reunir com o presidente da Câmara, que apoia o petista na contramão do próprio partido.

O Republicanos oficializou apoio a Flávio Bolsonaro na quarta (7). O partido não fechou questão, e não há punição para filiados que queiram fazer campanha para Lula.

Do outro lado, a campanha de Flávio também pressiona pelas presidências das Casas.

Publicidade

Entre os aliados, cresce o receio sobre promessas de campanha de Lula, como a reforma do Judiciário. O temor é que o projeto seja desfigurado na tramitação pelo Congresso.

O receio se estende às PECs em geral. Elas exigem 3/5 dos votos em cada Casa, em dois turnos, e podem ser promulgadas sem chance de veto presidencial, o que reduz o poder do Executivo sobre elas.

Quanto espaço Lula teria para governar

Com o bloco conservador perto da maioria qualificada nas duas Casas, a margem de manobra de um Lula reeleito seria menor. O novo Congresso, que assume em fevereiro de 2027, pode aprovar PECs com menos dependência do Planalto.