O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (10), em ato de campanha em Natal (RN), que adversários políticos "sempre cortam dos pobres" ao defenderem corte de gastos públicos. Sem citar o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu rival no 2º turno.
A eleição decisiva é em 25 de outubro, e Lula questionou de onde viriam os cortes fiscais propostos pelo adversário.
"Eu não conheço ninguém da elite brasileira que governou esse país, que teve coragem de cortar dos ricos, que teve coragem de cortar dos banqueiros", disse Lula, segundo o Poder360.
"Que teve coragem de cortar dos empresários, que teve coragem de cortar do sistema financeiro, dos fazendeiros e dos empresários", completou. "Ele sempre corta dos pobres", frisou o presidente.
O presidente fez referência a uma proposta de ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões atribuída à equipe econômica de Flávio. Ela avalia mudanças na correção de aposentadorias, no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e nos pisos constitucionais de saúde e educação.
Publicidade
A campanha do senador não confirmou a adoção dessas medidas como proposta oficial.
Lula discursou ao lado de Cadu de Lula (PT), candidato ao governo do Rio Grande do Norte, e dos governadores eleitos Elmano de Freitas (PT-CE), Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e Rafael Fonteles (PT-PI), além de Lucas Ribeiro (PP), governador eleito da Paraíba.
Na mesma agenda, ele também fez uma caminhada para reforçar a candidatura de Cadu de Lula, que vai ao 2º turno contra Allyson (União Brasil) pelo governo potiguar.
O que o TSE decidiu sobre os vídeos?
Um dia antes do discurso, em 9 de outubro, dois ministros do TSE mandaram remover vídeos da campanha petista sobre o mesmo tema.
André Mendonça deu três horas para a retirada de um vídeo de perfis ligados à campanha de Lula e de outro distribuído pelos deputados André Janones e Lindbergh Farias.
Nunes Marques, por sua vez, deu 24 horas para a remoção de um vídeo publicado pela primeira-dama Janja Lula da Silva.
Os vídeos associavam o plano fiscal a corte de R$ 200 bilhões e a perdas no Pé-de-Meia, na Farmácia Popular, no Minha Casa Minha Vida, na merenda escolar e no vale-gás. Também afirmavam que não haveria reajuste do salário mínimo acima da inflação.
Os ministros entenderam que essas afirmações específicas não tinham amparo mínimo no programa de Flávio nem em declarações do candidato. A decisão vale só para os vídeos questionados, não para o tema em geral.
Em entrevista ao programa Paulo Figueiredo Show, Flávio negou a intenção de cortar aposentadorias e disse que vai preservar o reajuste real dos benefícios.
Publicidade
Sua equipe econômica, porém, confirma estudar mudanças nas regras de correção do INSS e do BPC, tratadas como discussão técnica e não como proposta assumida.
Dias antes, o ministro Durigan já havia chamado o ajuste fiscal de Flávio de "ilusão barata". A Folha de S.Paulo, por sua vez, apurou que o plano em estudo pode afetar 70% dos aposentados do INSS.
O que acontece agora
Lula e Flávio se enfrentam nas urnas em 25 de outubro. O debate sobre o tamanho e o alvo do ajuste fiscal deve seguir como um dos eixos centrais da reta final da campanha.
A campanha de Flávio ainda não apresentou um detalhamento oficial e público do plano de R$ 250 bilhões. Essa ausência de um texto fechado mantém o tema em disputa. Cada lado segue descrevendo o ajuste do seu jeito até a votação.





























