A OCDE divulgou nesta terça-feira (8) os resultados do Pisa 2025: o Brasil somou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências, abaixo da média de 466, 469 e 486 dos países ricos. Em matemática, 72% dos estudantes não atingiram o nível básico.
O resultado ficou estável frente ao Pisa 2022: leitura caiu de 410 para 408 pontos e matemática recuou de 379 para 377. Só ciências avançou, de 403 para 409. A edição de 2025 ouviu 760 mil estudantes de 91 países, entre eles 30.140 brasileiros.
Em nota, o Ministério da Educação afirmou que o Brasil teve mais estabilidade e recuperação pós-pandemia do que a média da OCDE, e que superou o desempenho pré-pandemia em ciências entre 2018 e 2025.
Por que o Brasil "melhora" com a nota parada
Segundo o levantamento da OCDE, a distância para a média da OCDE caiu nas três disciplinas desde 2006: em leitura, de 102 para 58 pontos; em matemática, de 131 para 92 pontos; em ciências, de 113 para 77.
A aproximação deve mais à queda dos países ricos do que a um avanço brasileiro equivalente, já que a nota do país mal se moveu nos últimos três anos.
"O Brasil mostrou que maior equidade e maior qualidade podem avançar juntas, ampliando dramaticamente as oportunidades educacionais", disse Andreas Schleicher, diretor de Educação e Habilidades da OCDE.
72% dos estudantes brasileiros não atingiram o nível básico em matemática, e a proporção passa de metade também em leitura (51%) e ciências (52%). A OCDE cita mais uso de dispositivos, mais absenteísmo e menos apoio familiar entre os fatores ligados ao desempenho.
Na América Latina, o retrato também é de estagnação. Argentina e México tiveram os piores resultados em matemática em duas décadas, o Chile registrou deterioração, e Brasil, Colômbia e Costa Rica ficaram parados.
O diagnóstico converge com o que já mostrava o Ideb 2025: avanço nos anos iniciais do fundamental, mas ainda distante da meta. Um levantamento anterior já tinha acendido alerta sobre a qualidade do ensino em escolas de tempo integral.
O mesmo levantamento do Pisa mostra um dado novo: a restrição ao celular em sala passou de 37% para 81% das escolas brasileiras entre 2022 e 2025, após a lei federal que limitou o aparelho em aula.
O que acontece agora
O Pisa passa a ser aplicado a cada quatro anos, e não mais a cada três — a próxima prova é só em 2029.
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Até lá, o desafio do MEC é sustentar o avanço em ciências e reverter a estagnação em leitura e matemática, parada desde 2018. O acesso à etapa seguinte segue em expansão: o país também bateu recorde de inscrições no Enem em 2026.
O que o Pisa de 2029 vai responder
O Pisa 2025 permite duas leituras que não se cancelam. Uma é a melhora de longo prazo: em quase 20 anos, o Brasil fechou boa parte da distância dos países ricos.
A outra é que a maioria dos estudantes ainda não resolve problemas básicos de matemática ao fim da educação obrigatória. Só o ciclo de 2029 vai dizer se a estabilidade atual é o novo piso do país ou uma pausa antes de um novo avanço.


























