O iPhone Duo, primeiro dobrável da Apple, chegou ao Brasil nesta semana custando até R$ 30.999, quase 19 vezes o salário mínimo. Boa parte desse valor vai para o Fisco, numa carga que pode chegar a 92% do preço do aparelho importado.

O modelo chegou às lojas na sexta-feira (23), avaliado por quem já testou o aparelho, com preços de R$ 21.999 a R$ 30.999, segundo a versão de armazenamento.

Nos Estados Unidos, o mesmo tipo de aparelho sai mais barato: uma reportagem do nosso acervo já mostrou que o iPhone Duo custa R$ 11.600 a menos nos EUA do que no Brasil.

Para onde vai o dinheiro do iPhone

De cada R$ 100 pagos num celular importado, cerca de R$ 92 podem corresponder a impostos: Imposto de Importação, IPI, PIS, Cofins e ICMS, que incidem em cascata, um sobre a base do outro.

"O Imposto de Importação não incide isoladamente. Ele compõe a base de cálculo de outros tributos", explica o professor de contabilidade Tiago Slavov, resumindo o efeito cascata que amplia qualquer alta de alíquota.

O preço do iPhone no Brasil quase triplicou em 17 anos, enquanto nos EUA a alta foi de cerca de 80% no mesmo período. Mesmo o iPhone 18 já havia subido de preço por causa dos impostos.

Quem escapa dessa conta

Nem toda marca paga a mesma alíquota. Celulares fabricados na Zona Franca de Manaus, como os da Motorola, têm redução do Imposto de Importação e isenção de IPI, benefícios que o Judiciário manteve mesmo após a reforma tributária.

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A Apple não tem fábrica no Brasil: todo iPhone vendido aqui é importado, e por isso carrega a alíquota cheia que outras marcas conseguem driblar.

O que pode mudar nesse preço

A partir de janeiro de 2027, produtos de tecnologia da informação fabricados na Zona Franca de Manaus perdem a zeragem de IPI que vale para outros itens da região, um tratamento à parte criado para celulares e tablets.

Fica a pergunta de quem paga essa conta daqui a pouco mais de um ano: o fabricante, ou o consumidor na próxima alta de preço.