O barbeiro Renan Santana viralizou nas redes sociais ao mostrar como adapta o corte de cabelo para crianças com transtorno do espectro autista (TEA). Há 20 anos no ofício, ele constrói a relação de confiança aos poucos, respeitando o tempo de cada criança.
Renan começou a cortar cabelo aos 11 anos e sempre teve facilidade com o público infantil. Com o tempo, passou a receber crianças com maior sensibilidade, indicadas por outras famílias.
Antes do corte, ele conversa com os responsáveis para entender a história e as dificuldades da criança. "O principal é entender a demanda de cada criança", afirma.
A técnica é gradual. Renan toca aos poucos a cabeça da criança, molha os fios com um borrifador e, às vezes, apenas faz o barulho da tesoura perto do ouvido até o cliente se acostumar.
Quando necessário, o corte acontece fora do salão, no corredor ou em outro espaço onde a criança se sinta mais à vontade. Se a aproximação não der certo, ele tenta de novo em outro dia.
Um atendimento marcou a trajetória de Renan. Foi o de um menino levado pelo tio, cujo pai, a única pessoa que conseguia cortar seu cabelo, tinha morrido 30 dias antes, e cuja mãe o havia abandonado.
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"Obrigado por cortar meu cabelo, tio", disse o menino ao barbeiro, ao fim do atendimento registrado em vídeo.
O vídeo trouxe milhares de mensagens e relatos de famílias que enfrentavam dificuldades parecidas. Renan já produzia conteúdo nas redes havia 7 anos quando o caso viralizou.
Para a neurologista pediátrica Fernanda Wagner Fredo, da UFPR, o incômodo tem explicação sensorial. "Aquele toque que, para uma pessoa que não tem disfunção sensorial, é algo que passa despercebido, para essas crianças pode até trazer uma sensação muito semelhante à dor", explica.
A médica recomenda não insistir nem conter a criança à força durante o corte. Para famílias que enfrentam desafios parecidos no dia a dia, o apoio costuma vir de pequenas adaptações, como as que outras mães de crianças com autismo relatam.
Há também respaldo institucional. Famílias de crianças com TEA já conquistaram, por exemplo, o direito ao uso do FGTS por trabalhadores com dependentes com a condição na Justiça Federal.
Outras histórias de superação também viralizaram, como a de uma torcedora autista que uniu arte e futebol nas redes.































