Executivos brasileiros trocaram o Vale do Silício pela China como principal destino de missões em busca de inovação. A StartSe, que organiza as viagens, dobrou o número de missões ao país em 2026 e já supera o enviado à Califórnia.
Publicações em perfis do LinkedIn de empresários e executivos brasileiros mostram a mudança: textos e fotos que antes citavam o Vale do Silício foram substituídos por registros em Shenzhen, Xangai e Hangzhou.
O movimento cresceu desde 2025, quando caiu a exigência de visto para viagens de curta duração à China.
Nas missões, executivos e empresários visitam empresas, incubadoras de startups, centros de pesquisa e universidades, além de pontos turísticos como a Muralha da China.
"O novo está no Oriente", afirma In Hsieh, empresário de origem chinesa e pioneiro na organização de missões para o país. Ele descreve o fenômeno como uma "mudança no deslocamento de inspiração".
Para In Hsieh, um dos motivos é que as novidades dos Estados Unidos já chegam rápido ao Brasil, enquanto o que surge na Ásia ainda é pouco conhecido por aqui. "O modelo de ir ao Vale ficou enlatado e sem muita novidade", diz.
Por que a China virou o novo destino
A China atrai mais executivos brasileiros porque o setor que antes olhava para os Estados Unidos agora teme a concorrência direta de empresas chinesas no mercado brasileiro, e busca entender o modelo asiático antes que ele chegue por aqui.
"O brasileiro está assustado. Viu muita coisa nova chegar para competir. Agora quer entender o que acontece na Ásia antes de chegar no Brasil", afirma Fabio Neto, sócio da StartSe.
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A empresa organizou mais de 20 missões para a China em 2026, o dobro do total realizado para o Vale do Silício. A alta na demanda levou Neto a se transferir para Xangai, em setembro.
As viagens de imersão custam a partir de R$ 36 mil, com no mínimo seis dias, em pacotes que incluem passagem, estadia, deslocamento e roteiro de visitas. A maioria é customizada para empresas, mas há grupos abertos com vagas avulsas.
Entre as empresas que já embarcaram executivos nessas missões estão Ambev, Bradesco, McDonald's, iFood, Volkswagen e General Motors. Muitas atuam em setores atingidos pela concorrência chinesa no Brasil, como mostrou a chegada de um robô chinês apresentado em Campinas (SP).
A StartSe não é a única a levar empresários ao país. A ABES, associação do setor de software, promoveu em setembro a 2ª edição da China Innovation Discovery Mission, com passagem por Pequim, Hangzhou, Xangai e Shenzhen.
Uma comitiva de lideranças do Ceará visitou gigantes de tecnologia chinesas em outubro, e a Central do Varejo organiza, com o MBA USP/Esalq, uma missão de 13 dias à China entre 13 e 25 de novembro.
O interesse cresce junto com as trocas entre os dois países: o comércio entre Brasil e China bateu recorde de US$ 143 bilhões em 2026.
O movimento não é novo, mas ganhou escala. A StartSe promove imersões a polos de inovação desde 2018, somando-se à busca brasileira por investimentos em tecnologia na China.
Empresas como a IIN (Imersão Internacional de Negócios) fazem viagens do tipo desde 2014, voltadas ao Vale do Silício, à China e a Israel. Na IIN, cerca de 70% dos participantes são custeados pela própria empresa; na StartSe, o índice é de 60%.
O que acontece agora
A próxima leva de missões está marcada para novembro: a Central do Varejo e o MBA USP/Esalq levam executivos brasileiros a Xangai, Hangzhou e Shenzhen entre os dias 13 e 25, numa imersão de 13 noites.
O roteiro inclui visitas técnicas a empresas de tecnologia e varejo chinesas.































