O G7 anunciou nesta sexta-feira (2) a liberação coordenada de 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto das reservas estratégicas dos países-membros. A medida tenta conter a alta nos preços dos combustíveis, que atingiu recorde no Reino Unido no mesmo dia.

A liberação tem apoio da Agência Internacional de Energia (AIE) e será imediata, com parte substancial do diesel chegando ao mercado nos primeiros 20 dias. Segundo nota do gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron, a medida deve se estender por quatro meses.

Painel de preços de combustíveis em um posto, com o diesel S10 listado a R$ 7,15
Painel de preços em posto de combustível em Brasília (DF). Foto de arquivo, usada como ilustração do tema. Foto: Senado Federal/flickr via Openverse (BY)

A crise tem origem nas guerras no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, que reduziram o fluxo comercial de petróleo. Com menos oferta, o preço subiu em cadeia.

No Reino Unido, o diesel acumulou alta de 40% desde o início da guerra contra o Irã e chegou a duas libras o litro nesta sexta, cerca de R$ 14.

"Desse jeito não dá. Esse aumento de preço está apertando todo mundo", disse um motorista britânico ao Jornal Nacional.

Donald Trump vinha pressionando os europeus a liberar suas próprias reservas, sob ameaça de cortar as exportações americanas de diesel.

A União Europeia criticou as ameaças nesta sexta de manhã, antes de o acordo ser fechado.

Qual é o efeito no bolso do brasileiro

No Brasil, o impacto chega pela paridade de importação. Em 28 de setembro, a Abicom apontou defasagem de 102% no diesel da Petrobras frente ao preço internacional, com o Brent acima de US$ 105 o barril.

O diesel importado estava entre R$ 2 e R$ 3 mais caro por litro que o vendido aqui, o que dificulta a compra externa por quem precisa revender no mercado interno.

A Petrobras contratou 650 milhões de litros de diesel para outubro, mês em que a safra agrícola eleva o consumo.

A estatal também ampliou a produção doméstica para reduzir a dependência de importação mais cara.

Um corte nas exportações americanas, como Trump chegou a cogitar, tornaria essas importações ainda mais caras e escassas para o Brasil. É esse cenário que o acordo do G7 evita, ao garantir mais oferta global.

Os países também prometeram não restringir a exportação de energia entre si.

Os números mostram que a divisão foi equilibrada entre os dois produtos. É a segunda liberação coordenada do tipo neste ano: em março, o G7 já havia liberado 400 milhões de barris, dos quais cerca de dois terços foram distribuídos até agora.

Depois do anúncio, os futuros de diesel caíram 3,25% nos Estados Unidos e 5,75% na Europa. O Brasil já compra 80% do seu diesel importado dos Estados Unidos, o que torna o país sensível a qualquer corte na oferta americana.

Trump comemorou a decisão nas redes sociais.

O que acontece agora

A liberação de diesel começa a chegar ao mercado nos próximos 20 dias, com efeito que o G7 espera sentir ao longo dos quatro meses seguintes.

Ataques a instalações de petróleo no Oriente Médio e o desfecho da guerra entre Rússia e Ucrânia seguem sendo os fatores que podem anular o efeito da medida sobre o preço.