A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,399 bilhões na quarta semana de setembro, segundo dados da Secex/MDIC divulgados nesta segunda-feira (28/9). No ano, o saldo positivo já soma US$ 61,77 bilhões, alta de 36,3% sobre o mesmo período de 2025.

Quem puxa o recorde não é o agro

Até a quarta semana de setembro, as exportações da indústria extrativa cresceram 52,2% na comparação semanal, bem acima dos 12,8% da agropecuária e dos 13,8% da indústria de transformação.

Dentro da indústria extrativa, o impulso vem de óleos brutos de petróleo, minério de ferro e minérios de cobre, que também lideraram o crescimento nas semanas anteriores de setembro.

Quem compra o petróleo e o minério do Brasil

A resposta é a China. No primeiro semestre de 2026, o país asiático respondeu por quase um terço de tudo que o Brasil exportou, e três produtos concentraram 76,5% dessas vendas: petróleo, minério de ferro e soja.

A China absorveu 69,5% da soja, 68,6% do minério de ferro e 54% do petróleo exportados pelo Brasil. Só o petróleo bruto vendido aos chineses somou US$ 15,1 bilhões no semestre, alta de 62% e recorde da série histórica iniciada em 1997.

Parte dessa demanda tem origem no mesmo conflito que pressiona o preço dos combustíveis no Brasil: a guerra no Irã turbinou a venda de petróleo brasileiro à China, ao afastar compradores de fontes do Oriente Médio.

O MDIC projeta superávit de US$ 90 bilhões para 2026, alta de 32,3% sobre o ano passado, projeção já revisada uma vez para cima, em julho.

Do lado da mineração, a Vale vinha de sua melhor produção de minério de ferro para um 2º trimestre em anos. O resultado reforça a China como maior parceiro comercial do Brasil, papel que o país já ocupava em 2025.

O ponto em aberto

O Brasil vendeu à China 69,5% de toda a soja exportada, 68,6% do minério de ferro e 54% do petróleo. É uma concentração que também é risco: qualquer freada na demanda chinesa pesa direto no saldo que hoje bate recorde.

O superávit de 2026 depende, mais do que em anos anteriores, de um único comprador e de dois produtos de peso, o petróleo e o minério, cujos preços internacionais nem sempre o Brasil controla.