Uma falha global no sistema de GPS dos jatos E2, da Embraer, levou a Azul a cancelar 80 voos nesta semana, afetando 8 mil passageiros. Na Bolsa, as ações da Azul caíam 1,58% nesta quarta-feira (23), enquanto os papéis da Embraer subiam 0,20%.

A instabilidade atingiu principalmente o hub de Viracopos, em Campinas (SP), com cancelamentos já na terça-feira (22).

Segundo o InfoMoney, as indicações iniciais apontam a origem do problema num componente de terceiro. A Honeywell, fabricante do sistema de GPS usado nos E2, teria disponibilizado uma solução temporária enquanto trabalha numa correção permanente.

A Embraer afirma que a falha não compromete a segurança das aeronaves. "Embora a ocorrência possa afetar a programação operacional de companhias aéreas, não há impacto na segurança de voo", diz a nota da fabricante.

Para o Bradesco BBI, a notícia é negativa no curto prazo para a Azul, porque os remanejamentos podem reduzir o tráfego de setembro e elevar despesas com assistência a passageiros.

É essa diferença de exposição que explica por que a Bolsa reagiu de formas opostas às duas empresas: quem cancela voo e paga assistência é a companhia aérea, não a fabricante do avião.

"O impacto financeiro dependerá da duração da instabilidade, da quantidade de voos afetados e da velocidade de implementação da solução técnica. Para a Embraer, ainda não está claro se haverá efeito financeiro relevante", apontam os analistas do BBI.

O banco mantém recomendação de compra para as ações da Embraer e recomendação neutra para as da Azul.

Por que o E2 pesa tanto na frota da Azul

A Azul tem 50 unidades do E195-E2 na frota, o maior modelo da família E2 e o maior jato comercial em produção pela Embraer, com capacidade de até 146 passageiros. A companhia foi a primeira do mundo a receber o modelo, em 2019.

A parceria entre as duas empresas já rendeu outros marcos. Em junho, a Azul operou o primeiro voo comercial da Embraer com combustível sintético sustentável.

O avião é peça central da estratégia recente da Embraer. O E2 já soma mais de 500 pedidos firmes e levou o backlog da fabricante a US$ 34,5 bilhões, puxado pelo prazo de entrega mais curto que o de rivais como Airbus e Boeing.

Outras companhias também apostam no modelo. A Latam avança na produção do primeiro Embraer E195-E2 de sua frota, numa encomenda que deve ampliar a presença do avião no mercado brasileiro.

O que acontece agora

A Anac monitora a situação junto à Embraer e aos operadores. A Azul orienta passageiros a checar a situação da reserva antes de ir ao aeroporto, enquanto a Honeywell trabalha numa correção definitiva para o sistema de GPS.

O ponto em aberto

A dúvida que fica é até onde vai o efeito financeiro da falha. O Bradesco BBI já cravou a resposta para a Azul: a companhia perde dinheiro no curto prazo, mesmo sem saber ainda o tamanho da conta.

Para a Embraer, o banco prefere esperar para decidir se o problema fica restrito à Honeywell ou também pesa sobre a fabricante brasileira.