A Petrobras informou nesta terça-feira (22) que a refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), passou a usar resíduo do etanol de milho para fabricar asfalto. O insumo, chamado óleo técnico de milho, virou matéria-prima do novo ligante asfáltico da empresa.
É a mais nova linha de pavimentos sustentáveis da Petrobras, batizada de CAP Pro R.
Segundo a Petrobras, a refinaria já produziu 95 mil toneladas do novo asfalto desde junho. O volume seria suficiente para pavimentar um trecho de ida e volta entre o Rio de Janeiro e São Paulo.
Qual o peso disso na produção da Petrobras?
Ainda pequeno, mas crescente. "Em 2026, até o mês de agosto, a produção de asfaltos com conteúdo renovável representou 16,6% do total de asfaltos produzidos pela Petrobras", informou a empresa, em nota.
O óleo técnico de milho vem da biorrefinaria Inpasa e já era usado pela Petrobras em outras frentes: o combustível sustentável de aviação (SAF) e o diesel R, parcialmente feito com insumos vegetais. A aplicação no asfalto é uma nova etapa da mesma cadeia.
"Estamos ampliando o leque de matérias-primas renováveis usadas nas refinarias e reforçando a estratégia de diversificação de produtos com menor intensidade de carbono", disse Angélica Laureano, diretora de logística, comercialização e mercados da Petrobras.
Como o asfalto não é queimado, a empresa afirma que o carbono presente no material fica fixado ao longo de toda a vida útil do pavimento, e não é liberado na atmosfera como ocorreria num combustível.
Quem mais participa dessa cadeia?
A Inpasa, biorrefinaria que fornece o óleo técnico de milho, também comemorou a parceria. "Temos orgulho de ver essa tecnologia brasileira de ponta pavimentando um futuro mais verde também nas nossas rodovias", disse Rafael Verruck, diretor de trading de mercado interno e óleo da empresa.
O aproveitamento de resíduos agrícolas para produtos renováveis já é debate no país. Nesta semana, a Câmara discutiu os 50 anos do Proálcool e o futuro da gasolina sem etanol.
Desde agosto, a gasolina brasileira passou a ter 32% de etanol na mistura.
O que acontece agora
A Petrobras não informou meta de expansão da produção do CAP Pro R para outras refinarias. A empresa segue, porém, ampliando a agenda de transição energética em outras frentes, incluindo negociações internacionais recentes envolvendo o tema em Moçambique.





























