A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elevou a previsão de crescimento do Brasil para 2026, de 1,6% para 2%, no relatório trimestral divulgado nesta quarta-feira (23). A economia mundial deve crescer 2,9% no ano, segundo a organização.
O crescimento global perdeu força no primeiro semestre, mas resistiu ao conflito no Oriente Médio, diz a OCDE. Para 2027, a organização projeta expansão de 3%, mas alerta que o preço da energia deve continuar subindo.
O crescimento econômico mundial desacelerou, mas permaneceu resiliente.
Estoques elevados de petróleo, oferta adicional fora do Golfo e apoio de governos amorteceram o impacto sobre a economia mundial. A atividade ligada à inteligência artificial também ajudou, como já mostrou a TV Sim Brasil sobre o papel da IA na economia global.
Por que a energia preocupa a OCDE
Os preços de energia voltaram a subir com o agravamento das interrupções na produção e nas exportações no Golfo. Margens de refino elevadas pressionam os preços ao consumidor, e eventos climáticos extremos encareceram também os alimentos.
O preço do petróleo tem oscilado bastante nas últimas semanas, chegando a despencar e voltar a subir no mesmo dia, como mostrou a TV Sim Brasil sobre a volatilidade recente.
Mudanças em políticas comerciais, como tarifas e restrições à exportação, também aumentam a incerteza. A OCDE estima que novas tarifas dos EUA, em vigor desde julho, elevaram em cerca de 1 ponto percentual a tarifa efetiva média americana.
Os juros de longo prazo também chamam atenção. Eles subiram aos maiores níveis em 15 anos ou mais em muitas economias, em meio a preocupações fiscais e à forte emissão de títulos de empresas ligadas à IA.
Como fica o Brasil
A OCDE elevou a previsão do Brasil para 2026 em 0,4 ponto, a 2%, um dos melhores desempenhos da América Latina. Para 2027, a projeção caiu 0,2 ponto, para 1,9%. O México lidera a melhora regional, com alta de 0,7 ponto, a 1,5%.
A visão da OCDE contrasta com o tom mais cauteloso do próprio governo brasileiro. A Fazenda cortou sua previsão de crescimento para este ano, como mostrou a TV Sim Brasil sobre os motivos do corte.
Na Argentina, a OCDE prevê perda de fôlego depois do crescimento de 4,5% em 2025.
O ponto em aberto
A OCDE amarra praticamente todo o cenário de 2026 e 2027 a uma condição que não depende de política econômica. É uma solução duradoura para o conflito no Oriente Médio.
Sem ela, a própria organização admite que os preços de energia e alimentos podem voltar a pressionar a inflação global.
Para o Brasil, que a OCDE vê entre os mais resilientes da região, a pergunta que fica é se a economia aguenta um cenário de energia mais cara por mais tempo do que o previsto.





























