Uma instabilidade global no GPS afetou aeronaves E2 da Azul nesta semana e cancelou mais de 80 voos. Mas o problema não abala o que já é o principal motor comercial da fabricante brasileira Embraer, sediada em São José dos Campos.
A família E2, formada pelos modelos E175-E2, E190-E2 e E195-E2, hoje soma mais de 500 pedidos firmes e clientes em todos os continentes.
A linha é produzida em São José dos Campos (SP) e ajudou a levar a carteira de pedidos da Embraer a US$ 34,5 bilhões no 2º trimestre de 2026, sétimo recorde trimestral seguido.
Por que o E2 vende tanto?
Porque entrega rápido num mercado em que o concorrente demora. Segundo a revista britânica The Economist, companhias aéreas esperam até dez anos por um avião de fuselagem estreita da Boeing ou da Airbus. A Embraer entrega o E2 em menos de dois anos.
"O E2 é uma aeronave muito moderna, um projeto já do século 21, que atrela projeto bem feito de massa, motores de nova geração e sistemas de navegação muito modernos", diz Bruno Chieregatti, engenheiro mecânico do Instituto Mauá de Tecnologia.
Para Chieregatti, o tamanho menor também é vantagem, não limitação. "Nem todas as rotas precisam de capacidades tão elevadas, de 180 a 200 passageiros, que um Boeing e um Airbus precisam para ser viável economicamente", afirma.
Ele completa que ter entre 140 e 150 lugares dá às companhias "flexibilidade de fazer voos diferenciados". A demanda por aviões menores também cresceu com os gargalos na cadeia global de suprimentos, que persistem desde a pandemia.
A Azul foi a primeira companhia do mundo a receber o E195-E2, em 2019, e hoje opera 50 unidades do modelo. A Gol fechou a compra de 20 aeronaves da mesma versão, e a Latam também integrou o E2 à frota.
Fora do Brasil, companhias como a americana Avelo Airlines também apostam no modelo. Em setembro, a Embraer entregou à Azul o 2.000º avião da família E-Jets, um marco da linha que inclui a geração anterior.
O ponto em aberto
O episódio desta semana reacendeu uma pergunta que o sucesso comercial não responde sozinho: o quanto a frota crescente do E2 depende de sistemas terceirizados, como o GPS que falhou na Azul.
A Embraer soma sete trimestres seguidos de recorde na carteira de pedidos. Sustentar esse ritmo de vendas exige também sustentar a confiabilidade da operação, e é aí que mora o próximo teste da fase boa da empresa.
A própria falha de GPS que afetou a Azul nesta semana já foi apurada em detalhe pela reportagem: o problema foi atribuído ao equipamento, não ao avião.
O que acontece agora
A meta da Embraer para 2026 é entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais, incluindo a linha E2. A empresa também colhe frutos em outras frentes.
A Ucrânia mira o Super Tucano da fabricante por uma rota via Otan, e o mercado já reconhece a folga financeira: o rating de crédito da empresa subiu para BBB na Fitch em setembro.





























