O banco holandês Rabobank prevê que os custos do milho subam 11% e os da soja, 4%, na safra 2026/27. Mesmo assim, a rentabilidade das duas culturas segue mais saudável que em outros grandes mercados agrícolas, diz o analista Bruno Fonseca.
Fertilizantes e inseticidas mais caros puxam a alta no milho, que deve subir 11% na safra 2026/27. No mesmo período, o preço do grão recuou em Chicago, depois que o USDA elevou a safra americana, reduzindo a margem do produtor brasileiro.
Tensões geopolíticas no Oriente Médio pressionam o preço dos fertilizantes nitrogenados, e a oferta mais restrita de enxofre também encarece a lavoura, segundo o Rabobank.
Para a soja, o aumento de custo é mais moderado, de cerca de 4%. As margens operacionais da soja brasileira voltaram à média histórica, e as do milho seguem acima da média, aponta o banco.
A combinação das duas culturas sustenta a rentabilidade das propriedades agrícolas, mas o endividamento reduz esse ganho. A inadimplência regional no campo passa de 8%, nível recorde, segundo o relatório.
Produtores ainda carregam dívidas de ciclos anteriores de investimento, e o ambiente financeiro "continua desafiador", diz o Rabobank. O banco não projeta uma recuperação ampla e sincronizada da rentabilidade agrícola mundial em 2027.
A oferta abundante de commodities deve manter a retomada lenta e desigual entre os mercados.
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Por que o Brasil segue à frente dos EUA na China?
O Brasil mantém vantagem porque a soja americana segue taxada na China: a tarifa total chega a 34%, com o imposto de valor agregado incluído, o que encarece o produto dos EUA e favorece os embarques brasileiros.
A vantagem já havia sido mostrada em matéria publicada pela TV Sim Brasil na semana passada: a China absorveu 70% da soja exportada pelo Brasil entre janeiro e maio, segundo a alfândega chinesa.
O Brasil embarcou ao todo 73,95 milhões de toneladas de soja no primeiro semestre, para todos os destinos.
Enquanto isso, as vendas dos EUA à China caíram 83,7% no primeiro bimestre de 2026, com projeção de apenas US$ 9 bilhões no ano, a menor marca desde o início da guerra comercial, segundo levantamento do setor.
O aperto nos custos não tira a vantagem brasileira: o concorrente americano paga ainda mais caro para vender à China.
A Argentina também ampliou espaço no mercado chinês. Exportou 3,27 milhões de toneladas de soja no primeiro bimestre de 2026, ante 111,6 mil toneladas no mesmo período do ano anterior, segundo a alfândega chinesa.
O que acontece agora
Mais de 9 milhões de toneladas da safra 2026/27 já estão pré-contratadas para exportação, segundo o setor. O plantio da nova safra começa a partir de meados de setembro, depois de uma safra 2025/26 que a StoneX estimou em 178,9 milhões de toneladas.
O Rabobank projeta que a recuperação da rentabilidade agrícola só deve ganhar força a partir da metade de 2027.
Depende do ajuste nos preços internacionais das commodities.





























