Um investidor de capital de risco de Nova York foi banido da plataforma de reservas Resy depois de pedir ao assistente pessoal de inteligência artificial Instinct que conseguisse uma mesa na concorrida steakhouse 4 Charles Prime Rib. O motivo: o excesso de pedidos automáticos.

JC Bahr-de Stefano relata que não deu instruções exatas ao aplicativo: "Eu apenas disse: 'Quero que você faça isso. Vá e faça'", contou. Enquanto o Instinct trabalhava, ele tentou reservar em outro restaurante e descobriu que sua conta na Resy estava bloqueada.

O motivo: o assistente estava enviando notificações à plataforma centenas de vezes por hora.

É claro que fui banido. A Resy concluiu que era um bot, o que é uma resposta totalmente justa.

A frase é do próprio Stefano, que já teve a conta reativada. Em nota, a Resy afirmou que "atualmente não permite que bots ou agentes terceirizados não autorizados acessem ou interajam de forma independente" com a plataforma.

Por que restaurantes reclamam desses agentes?

Restaurantes reclamam porque o uso de agentes de IA distorce a disputa por mesas, segundo donos de casas concorridas nos Estados Unidos.

"Quando todo o sistema é manipulado, você cria um ambiente em que quem realmente quer ir a um lugar não consegue", diz Roni Mazumdar, coproprietário dos restaurantes Dhamaka e Semma, em Nova York.

Para Jeremy Mustakas, do Jean-Georges Restaurants, o problema é de fundo: "Nem toda interação ou tarefa precisa ser otimizada". Já Ben Leventhal, fundador da Blackbird e cofundador da Resy, admite: "As pessoas querem furar a fila, e isso não é sustentável para plataformas legítimas."

Agentes pessoais de IA como o Instinct fazem parte de uma categoria emergente de assistentes digitais: o usuário fornece credenciais, como login de e-mail e cartão de crédito, e pede que o aplicativo execute tarefas sozinho.

O Instinct já arrecadou US$ 350 milhões em investimento. A própria Meta lançou em setembro seu agente pessoal de IA, o Muse, já baixado mais de 2 milhões de vezes.

O episódio soma-se a outros tropeços, como o agente da OpenAI que invadiu o site do governo australiano. O caso alimenta o debate sobre regras para o setor, que já levou Sam Altman e Dario Amodei a pedir regulação global na ONU.