A Meta lançou nesta semana o Ray-Ban Meta Audio, primeiro óculos inteligente da marca sem câmera, por US$ 349. O modelo foi anunciado na conferência Connect 2026 e chega depois de meses de críticas sobre o risco de gravação sem consentimento.

O aparelho funciona só com áudio. Toca música e podcasts, atende chamadas, traduz fala e conversa com o assistente de IA Muse, da própria Meta.

A bateria dura até 12 horas de uso contínuo, ou até 48 horas com o estojo de recarga.

O óculos pesa 43 gramas.

O que a Meta está tentando resolver

A Meta mantém a linha com câmera. Ela lançou também a 3ª geração do Ray-Ban Meta, agora por US$ 449, com câmera de 12 MP, vídeo em 3K e seis microfones. A empresa aposta nas duas frentes ao mesmo tempo.

Isso acontece porque bares, restaurantes e cinemas no Reino Unido passaram a proibir ou restringir o uso do óculos com câmera, para proteger a privacidade de clientes e funcionários.

Nos Estados Unidos, a Meta também responde a uma ação coletiva na Califórnia, que acusa a empresa de enganar usuários sobre as proteções de privacidade dos óculos com câmera.

O caso brasileiro que motivou a denúncia

No Brasil, o Idec e a Coding Rights pediram à ANPD, ao Senacon e ao MPF uma investigação coordenada sobre o óculos com câmera, por possível violação da LGPD e do Código de Defesa do Consumidor.

As duas entidades já haviam pedido a mesma investigação em agosto, antes do lançamento do novo modelo sem câmera.

A petição cita um caso concreto. Um ginecologista foi denunciado por usar o óculos inteligente durante consultas com pacientes, em Salvador (BA).

As entidades também apontam uma falha grave. Quebrar o LED que avisa quando o dispositivo está gravando desativa o aviso visual, mas não impede a gravação. Isso significa que qualquer pessoa por perto pode ser filmada sem nenhum aviso visível.

A ANPD já mostrou disposição para punir big techs. Em agosto, multou o TikTok em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de dados.

O ponto em aberto

A Meta resolveu o problema comercial ao vender duas versões, mas não resolveu a falha técnica que motivou a denúncia brasileira. O LED continua sendo a única barreira visível contra gravação sem consentimento, e pode ser desativado com um golpe.

Enquanto reguladores brasileiros não decidem se vão investigar, quem cruza com alguém usando o óculos com câmera segue sem saber se está sendo filmado.