O Discord removeu aplicativos de terceiros usados para contornar a suspensão dos recursos de vídeo no Brasil, determinada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), segundo informou a plataforma nesta segunda-feira (21), após reportagem identificar serviços que ainda transmitiam vídeo em chamadas coletivas.

Segundo o G1, pelo menos dois serviços externos funcionavam dentro de recursos nativos do Discord e permitiam transmissão e compartilhamento de vídeo em tempo real. A empresa disse que eles operavam sem autorização e contra seus termos de uso.

Em nota reproduzida pelo G1 e pelo Olhar Digital, o Discord afirmou que investigou o uso dos aplicativos e agiu imediatamente para removê-los. A plataforma também disse que continua em diálogo com a ANPD para restabelecer os recursos de vídeo no país.

Para o usuário brasileiro, a remoção dos aplicativos não libera as chamadas de vídeo nem as transmissões ao vivo. Segundo o Canaltech, texto e chamadas apenas por áudio seguem funcionando normalmente.

O que continua bloqueado?

O que continua bloqueado são o Go Live e outras formas de comunicação por vídeo em tempo real, incluindo chamadas de vídeo em mensagens diretas, grupos e canais de voz. A ordem da ANPD também alcança funcionalidades equivalentes.

A agência pediu esclarecimentos ao Discord após receber a denúncia da GloboNews. Segundo o G1, a ANPD informou que o descumprimento de medidas preventivas pode levar a novas providências, incluindo multa diária.

A suspensão foi determinada após investigação relacionada à morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul. A matéria evita detalhes do caso porque o ponto público agora é regulatório: a ANPD cobra salvaguardas antes de liberar novamente o vídeo.

A TV Sim já havia mostrado que a Justiça marcou audiência entre governo e Discord em processo de R$ 500 milhões. O novo episódio amplia a pressão sobre a empresa no Brasil.

O caso também se soma a uma onda global de cobrança sobre plataformas digitais. Nesta segunda, a TV Sim mostrou que o Google levou multa de € 403 milhões por dados de localização na União Europeia.

A proteção de crianças e adolescentes é outro eixo dessa agenda. Na semana passada, o portal mostrou que a UE proibiu menores de 13 anos em redes sociais, enquanto o Brasil avançava em verificação por aplicativo.

O que acontece agora

O que acontece agora é a análise das explicações do Discord pela ANPD. A plataforma tenta restabelecer o vídeo, mas o órgão já rejeitou pedido para suspender os efeitos da decisão enquanto o recurso é analisado.

Segundo o Canaltech, a agência entende que liberar vídeo ao vivo sem novas salvaguardas poderia recriar os riscos que motivaram a intervenção. Até nova decisão, a plataforma segue funcionando no Brasil sem vídeo em tempo real.