A balança comercial brasileira teve superávit de US$ 984,2 milhões na terceira semana de setembro, segundo dados oficiais da Secex/MDIC divulgados nesta segunda-feira (21). No ano, o saldo chega a US$ 59,601 bilhões, 35,2% acima do mesmo período de 2025.

O dado semanal parece pequeno perto do acumulado, mas ajuda a medir se o país ainda consegue cumprir a projeção oficial de US$ 90 bilhões em 2026. Para chegar lá, faltam cerca de US$ 30,4 bilhões de saldo até dezembro.

A distância até a meta ainda é grande.

Por que a balança comercial importa?

Por que a balança comercial importa passa pela entrada de dólares no país. O saldo positivo mostra que o Brasil vendeu mais ao exterior do que comprou, com US$ 7,701 bilhões em exportações e US$ 6,717 bilhões em importações na semana.

Em setembro, o superávit acumulado é de US$ 4,284 bilhões. O número conversa com outra pressão do comércio exterior: a TV Sim mostrou como o Porto de Chancay pressiona a rota do agro na disputa logística pela Ásia.

O saldo anual também cresceu porque a base de comparação era menor. Segundo a Secex/MDIC, o superávit até a terceira semana de setembro de 2025 estava em US$ 46,300 bilhões. Agora está em US$ 59,601 bilhões.

Onde o saldo está crescendo?

Onde o saldo está crescendo é principalmente nas exportações. Até a terceira semana do mês, as vendas externas subiram 21,5% sobre igual período de 2025, enquanto as importações avançaram 9,0%.

A indústria extrativa teve o maior salto nas exportações, com alta de 44,7% e US$ 5,774 bilhões. A agropecuária cresceu 12,5%, para US$ 4,444 bilhões, e a indústria de transformação avançou 15,3%, para US$ 11,436 bilhões.

O outro lado da conta também importa. As importações da indústria de transformação somaram US$ 16,278 bilhões, alta de 7,6%. Quando a importação cresce junto com a exportação, o saldo melhora menos do que o número de vendas externas sugere.

Esse ponto ajuda a ler o resultado sem euforia. A indústria reduziu intenção de investir ao menor nível desde 2020, como mostrou a cobertura recente sobre investimento industrial, e comércio exterior forte não resolve sozinho essa cautela.

O ponto em aberto

O ponto em aberto é a qualidade do superávit. O resultado é positivo e melhora a comparação anual, mas a meta de US$ 90 bilhões exige que o ritmo de exportação continue forte nos próximos meses.

Também há risco político no caminho. O Brasil levou o tarifaço dos EUA à OMC, e disputas comerciais podem mudar preços, rotas e mercados compradores. Saldo alto é bom; saldo dependente de poucos choques favoráveis é menos confortável.