Alexandre Amorim, de 55 anos, pai de santo, foi encontrado morto a tiros dentro de casa na Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, na manhã de sexta-feira (23). Câmeras de segurança registraram um homem invadindo o imóvel durante a madrugada, antes do crime ser descoberto.

Segundo a reconstrução das imagens, um carro parou em frente à casa pouco antes das 3h15. Às 3h21, um homem desceu do veículo, atravessou a rua e pulou o muro; voltou um minuto depois e, às 3h22, pulou de novo.

Vizinhos contam que Alexandre morava no imóvel, onde também funcionava um terreiro de candomblé.

O aposentado Vladimir Pereira da Luz percebeu o portão quebrado por volta das 11h de sexta: "Quebraram o portão. Eu vim perceber isso mais ou menos umas 11h. Ninguém sabe quem foi".

Na manhã de sexta, integrantes do terreiro foram ao local organizar um evento e encontraram Alexandre caído no quarto. Segundo o amigo Vicente Neto, o telefone da vítima tocava sem resposta até uma integrante com a chave da casa entrar e encontrar o corpo.

"Encontraram a casa bagunçada, ele com tiros. Mataram o cachorro também, né? Foi requinte de crueldade mesmo. Deram um tiro no rosto dele."

O relato é de Fernando Quaresma, amigo da vítima, que também levantou uma hipótese para o crime: "Por algum motivo, seja por homofobia, seja por intolerância religiosa, mas alguma causa dessas teve que ter".

É uma suspeita dos próprios amigos, que a Polícia Civil ainda não confirmou.

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Quaresma também lembrou a vítima: "Ele era uma pessoa que estava sempre de bem com a vida, sempre de bom humor, sempre brincando, sempre cuidando da religião dos filhos de santo que frequentavam a casa".

Um padrão monitorado no país

A motivação do crime ainda não foi confirmada pela Polícia Civil. Mas o Brasil monitora um padrão parecido: o Disque 100 recebeu 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, mais que as 2.472 do ano anterior.

São Paulo lidera o ranking de estados, com 667 registros — à frente do Rio de Janeiro (446) e de Minas Gerais (323).

Entre as religiões identificadas nas denúncias, Umbanda e Candomblé concentram os maiores números, como mostra o levantamento sobre racismo religioso e intolerância no país.

Casos de violência contra terreiros já levaram a operações policiais em outros estados neste ano.