O Grupo Carbon, que se apresenta como líder mundial em blindagem de veículos civis, pediu recuperação extrajudicial para renegociar R$ 371,5 milhões em dívidas. O pedido foi protocolado na Justiça de São Paulo na segunda-feira (5), pela controladora C Blindados e duas subsidiárias.
As subsidiárias são a Opera Glass, fabricante de vidros blindados, e a Vertco Blindagem. Segundo a empresa, a crise vem do descompasso entre a dívida contraída para expandir o negócio e o retorno dos investimentos, mais lento do que o esperado.
Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia direto com os credores e leva o acordo ao Judiciário. Uma vez homologado, o plano vale também para quem não aderiu.
O mesmo tipo de processo foi usado recentemente pelo GPA, que teve o plano homologado pela Justiça.
A Braskem também está em processo semelhante desde agosto, recurso usado por empresas com dívida alta que querem evitar a falência.
Credores que somam 47,6% dos créditos já aderiram ao plano da Carbon. Por lei, o processo pode começar com apoio de um terço, desde que a devedora alcance mais da metade dos credores em até 90 dias.
A empresa antecipou o pedido por causa de três ações de despejo por falta de pagamento: um galpão em Barueri (SP), sede da companhia, a fábrica de vidros em Jarinu (SP) e o showroom na Barra da Tijuca (RJ).
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Os aluguéis desses três imóveis somam R$ 459 mil por mês. A Carbon pede liminar para impedir a desocupação enquanto durar a suspensão das cobranças.
Quem são os credores
A documentação apresentada à Justiça inclui cerca de 600 credores e 2.700 títulos de dívida, a maior parte da C Blindados. O maior credor é o fundo Amadeus, com R$ 95,3 milhões.
Em seguida vêm o Banco Digimais, com R$ 61,4 milhões em debêntures, e o fundo SSG, com R$ 38,4 milhões. Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Porto Seguro também são credores.
Amadeus, SSG e Bradesco já aderiram ao plano de reestruturação, mas os maiores bancos do país ainda resistem. Digimais, Banco do Brasil, Santander e Porto Seguro não aderiram.
Em julho, foi a vez da rede Oncoclínicas recorrer ao mesmo instrumento, numa onda recente de grandes empresas que preferem renegociar a decretar falência.
O que acontece agora
A Carbon diz ter investido mais de R$ 180 milhões, nos últimos cinco anos, para produzir vidros e materiais balísticos internamente. A empresa tem até 90 dias para reunir a adesão de mais da metade dos credores e levar o plano à homologação na Justiça.





























