Catarina Novaes, 45 anos, percebeu um nódulo no seio esquerdo cinco meses depois de uma mamografia sem alterações. Uma médica disse que o nódulo não era nada, provavelmente hormonal. Semanas depois, exames revelaram câncer de mama invasivo de grau 3.
Ela fez a mamografia em março, no check-up ginecológico de rotina. Notou o nódulo em agosto e procurou atendimento dois dias depois.
Eu tinha certeza de que ele não estava ali há muito tempo
contou Catarina sobre a descoberta do nódulo.
A orientação da primeira médica foi fazer uma ultrassonografia sem pressa, só para registrar o nódulo. Cerca de 15 dias depois, Catarina fez o exame por acaso, num laboratório de shopping, e o médico estranhou as características do nódulo e recomendou uma punção.
A recomendação levou Catarina a procurar uma ginecologista de confiança, que pediu novos exames. A investigação seguiu com mamografia, exames complementares e biópsia.
Por que uma mamografia normal não garante que não há câncer?
Segundo o oncologista Jorge Abissamra Filho, do Hospital Santa Clara, "a mamografia é um excelente exame de rastreamento, mas não consegue detectar 100% dos cânceres". Alguns tumores surgem no intervalo entre duas mamografias, inclusive em mamas densas.
Tumores triplo negativos têm maior velocidade de proliferação do que os que respondem a hormônios, segundo o médico. Uma lesão pequena, ou que nem aparecia na mamografia anterior, pode se tornar palpável em poucos meses.
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O tratamento desse subtipo é tema de avanços recentes na oncologia.
O que diz o INCA sobre o câncer de mama no Brasil?
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil, no triênio 2026-2028. É o câncer mais incidente entre as brasileiras, cerca de 30% dos casos na população feminina.
O subtipo triplo-negativo, mencionado pelo oncologista, representa de 10% a 15% dos casos. O risco varia por região: 88,29 casos a cada 100 mil mulheres no Sudeste, o maior do país, contra 31,28 no Norte, o menor.
Uma pesquisa recente mostrou que 3 em cada 10 brasileiras não sabem como prevenir a doença, e a mamografia digital passou a ter cobertura sem limite de idade nos planos de saúde.
"Quando abri o resultado, estava escrito câncer invasivo de grau 3. Ali, eu soube que estava com câncer", lembra Catarina.





























