A alimentação pode ser uma aliada no tratamento da depressão, segundo estudos recentes revisados neste Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado neste sábado (10). Peixes, azeite, castanhas e fibras aparecem entre os alimentos associados à melhora dos sintomas em quem já faz acompanhamento médico.
No Brasil, cerca de 16,3 milhões de adultos têm diagnóstico de depressão, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE. O percentual subiu de 7,6% em 2013 para 10,2% em 2019, alta de 34% em seis anos.
Entre as mulheres, a prevalência é de 14,7%, quase três vezes a dos homens, com 5,1%.
A ligação entre comida e humor passa pelo chamado eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação constante entre os dois órgãos. As bactérias do intestino produzem substâncias que influenciam a inflamação, o sistema imunológico e até mensageiros químicos ligados ao humor.
O tema já vinha sendo estudado por outras frentes. Pesquisadores turcos, por exemplo, associaram alimentos fermentados como kefir e kombucha a uma espécie de neuroproteção contra ansiedade e depressão.
O que mostrou o estudo com dieta mediterrânea
Uma pesquisa australiana acompanhou adultos com depressão moderada a grave que já faziam tratamento convencional. Parte do grupo recebeu orientação para adotar uma alimentação no estilo mediterrâneo, rica em peixe, azeite, grãos integrais e vegetais.
Depois de 12 semanas, cerca de um terço do grupo que mudou a alimentação teve remissão dos sintomas depressivos, contra 8% do grupo que recebeu apenas apoio social.
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O estudo foi pequeno, com poucas dezenas de participantes, e os próprios pesquisadores dizem que o achado precisa ser confirmado por pesquisas maiores. Alimentação não substitui psicoterapia, acompanhamento médico nem medicação.
O prato não substitui o tratamento. Ele entra como um fator a mais, ao lado da terapia e, quando indicado, dos remédios.
O Dia Mundial da Saúde Mental também chama atenção para rotinas de cuidado que vão além da dieta. Nesta semana, uma reportagem mostrou por que a saúde mental pesa tanto quanto o exame no Outubro Rosa.
A preocupação também aparece no mundo do trabalho. Em setembro, dados mostraram que os afastamentos por saúde mental no trabalho caíram 13% no semestre.
O que colocar no prato
Veja os grupos de alimentos mais associados à melhora do humor nos estudos.
- Peixes como sardinha, salmão e atum, fontes de ômega-3
- Feijão, lentilha e grão-de-bico, ricos em fibras e vitaminas do complexo B
- Verduras de folhas escuras, fonte de folato
- Frutas variadas e coloridas
- Castanhas, nozes e sementes
- Azeite de oliva
- Iogurte natural e outros fermentados, que ajudam a microbiota
- Ovos e carnes magras, fontes de vitamina B12
Nenhum desses alimentos trata a depressão sozinho. Quem enfrenta sintomas persistentes deve procurar um profissional de saúde mental, segundo os estudos citados.





























