O Mercado Livre passa a vender remédios sob prescrição médica a partir desta sexta-feira (25), começando por São Paulo, com entrega em até uma hora nas áreas cobertas. O anúncio, feito na quinta (24), já derrubou as ações das farmácias na Bolsa brasileira.

Na mesma quinta, os papéis caíram: RD Saúde (RADL3) recuou 5,38%, a R$ 18,45; Pague Menos (PGMN3) caiu 8%, a R$ 3,45, depois de cair mais de 10% durante o pregão; e Panvel (PNVL3) cedeu 4,90%, a R$ 12,43.

Pessoas que entram no Meli buscam de tudo, e percebemos que havia muita busca também por remédios. Além disso, a taxa de conversão de medicamentos é muito maior quando comparada aos demais produtos.

A avaliação é do CEO do Mercado Livre no Brasil, Fernando Yunes.

Para Lucas Esteves, head de varejo do Santander Brasil, o movimento reacende uma dúvida antiga do setor. "Com Mercado Livre e Amazon ganhando espaço nesses segmentos, investidores passaram a questionar o potencial de margem das farmácias", disse.

Por que a venda só começou agora

A Anvisa só autorizou o Mercado Livre a vender remédios em agosto, ao revogar uma proibição que durava desde 2019. Antes, em agosto, a agência já tinha liberado o mesmo modelo para a Shopee, que atua como vitrine para farmácias licenciadas.

Para operar a logística em São Paulo, o Mercado Livre comprou a Farmácia Cuidamos, no Jabaquara. A plataforma também vai vender canetas emagrecedoras da linha GLP-1, como o Ozempic.

A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) disse que vai questionar a Anvisa sobre a legalidade da operação. Argumenta que a venda por marketplaces ainda depende de regulamentação própria.

O impasse regulatório não impediu o mercado de reagir primeiro: as ações das farmácias caíram no mesmo dia do anúncio, antes de qualquer decisão da Anvisa sobre o questionamento da Abrafarma.

O ponto em aberto

O mercado já precificou a mudança, mas a disputa regulatória segue sem desfecho. A Abrafarma promete questionar a Anvisa, que levou seis anos para autorizar a venda depois de proibi-la em 2019.

Falta saber se as regras vão dar conta de um modelo de negócio que já opera na prática antes de qualquer resposta formal da agência.