O cientista político americano Steven Levitsky, de Harvard e coautor de "Como as Democracias Morrem", disse à Folha que não se surpreendeu com o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno: para ele, o resultado reflete insatisfação com o status quo.
Um levantamento feito por Levitsky mostrou que, desde a pandemia, 74% dos governos incumbentes perderam eleições em democracias ocidentais analisadas, 40 de 54 casos. O Brasil, que não reelegeu Jair Bolsonaro (PL) em 2022, foi um deles.
"Não é que essa maioria dos brasileiros seja autoritária", afirma Levitsky. "Parte desse eleitorado está votando contra o status quo."
Por que Levitsky chama o PL de antiliberal?
Levitsky argumenta que o espectro político mundial hoje se explica melhor pela chave liberalismo-antiliberalismo do que pela tradicional divisão entre esquerda e direita. Ele cita a força eleitoral da AfD na Alemanha e o presidente antiliberal nos Estados Unidos como exemplos da tendência.
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Para o cientista político, essa lógica também vale para o Brasil: ele chama o PL de "amplamente iliberal" e diz que é "um erro de nomenclatura chamá-lo de Partido Liberal". Na visão dele, a disputa nacional reproduz um padrão que já derrubou outros governos recentemente.
O Brasil já vivia, às vésperas do 1º turno, a mesma onda antiincumbente que derrubou três outros governos nos meses anteriores, segundo reportagem da época.
Levitsky também critica a falta de atenção do PT para a fragilidade da busca por reeleição. Ele diz que o partido deveria ter aprendido com a campanha de Joe Biden nos EUA, encerrada com renúncia à candidatura e a eleição de Donald Trump.
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O que Levitsky disse sobre a condenação de Jair Bolsonaro?
Levitsky afirma que, no ano passado, via no Brasil um exemplo para os Estados Unidos. Ele diz ter visto "com bons olhos" a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Ele observa que os Estados Unidos não fizeram o mesmo quando Trump esteve em situação parecida.
A fala ocorre enquanto Flávio Bolsonaro negocia, como candidato, um eventual indulto ao pai, promessa que já esbarra em resistência no STF.





























