Um estudo do Instituto Alemão de Nutrição Humana (DIfE) demonstrou, pela primeira vez, uma relação de causa entre bactérias do intestino e o crescimento de tumores colorretais. A pesquisa foi publicada na edição de agosto da revista científica Gut.
O mecanismo começa na dieta: a gordura consumida na alimentação estimula o fígado a produzir ácidos biliares primários, usados para digerir e absorver gordura. No cólon, certas bactérias transformam esses ácidos em ácidos biliares secundários, entre eles o ácido desoxicólico (DCA).
Quanto mais alimento gorduroso a pessoa consome, maior a concentração de DCA no cólon.
Como os pesquisadores provaram a causa?
A equipe analisou amostras fecais de mais de mil pessoas, com e sem câncer colorretal. Genes de bactérias produtoras de DCA apareceram com mais frequência em quem tinha a doença.
Esse tipo de comparação mostra associação, mas não prova causa. Para isso, os cientistas implantaram bactérias produtoras de DCA em camundongos com microbioma intestinal totalmente controlado.
Em seguida, induziram câncer colorretal nesses animais e em um grupo de controle sem as bactérias. Os camundongos com bactérias produtoras de DCA desenvolveram tumores maiores que os do grupo controle.
Annika Osswald, doutoranda do instituto alemão e autora principal do estudo, destacou que a pesquisa é a primeira a demonstrar causalidade nessa relação.
Até então, cientistas sabiam apenas que existia algum tipo de conexão entre um ácido biliar secundário específico e o câncer colorretal, sem provar que um levava ao outro.
O câncer colorretal é um dos tipos mais comuns e mortais em adultos com menos de 50 anos. Outros estudos já haviam associado o aumento de casos nessa faixa etária aos hábitos da chamada dieta ocidental, rica em ultraprocessados e gordura.


























