Aos 18 anos, a estudante Ada Jamile Gomes de Oliveira, de Manaus, tornou-se a primeira amazonense premiada na Isef e iniciou a graduação na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, depois de criar, aos 15 anos, um algoritmo de pesquisa contra o câncer.

A motivação veio do diagnóstico de câncer de mama da tia, Francisca, no ensino médio. Ada começou um projeto batizado de Minerva, que incluía o algoritmo de busca "proteína-composto", registrado no Inpi. Ela contou à Folha como a ciência ganhou sentido após o diagnóstico.

Eu me sentia extremamente impotente, e a pesquisa me mostrou uma forma de ser útil enquanto apoiava minha família. A pesquisa científica me trouxe um sentido de como cuidar melhor de quem eu amo.
Fachada da biblioteca Low Memorial, no campus da Universidade Columbia, em Nova York
Campus da Universidade Columbia, em Nova York, onde Ada Jamile inicia a graduação. Foto: Ad Meskens/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

"Foi um momento mágico, como se um novo mundo tivesse se aberto para mim. Eu descobri um pouco do quanto dava para fazer computacionalmente nessa área", disse Ada, sobre o momento em que o professor Roberto Barbosa sugeriu que aprendesse Python.

O algoritmo repercutiu na UCSD (Universidade da Califórnia em San Diego): "essa experiência mudou bastante minha forma de enxergar a ciência e a tecnologia, porque me mostrou que projetos desenvolvidos ainda no ensino médio podem influenciar o trabalho de outros pesquisadores", afirma Ada.

Que outro projeto Ada desenvolveu?

Depois do projeto sobre câncer, Ada investigou uma alternativa não invasiva contra o Alzheimer: ondas binaurais a partir de 12 Hz, frequência observada durante o sono profundo, no projeto "MeMO: Binaural Modulation for Neurodegeneration", também inscrito na Isef 2026.

"Não conseguimos comprovar o mesmo efeito, mas encontramos algo ainda mais interessante: os genes responderam especificamente a esse ruído, reduzindo sua expressão gênica", conta a estudante. Outro pesquisador brasileiro foi premiado recentemente por trabalho que pode revolucionar tratamentos contra o câncer.

O que acontece agora

Ada começa agora a graduação em Columbia, universidade de prestígio nos Estados Unidos.