A polícia do Reino Unido prendeu cinco homens neste domingo (27), na vila de Whelford, perto da base aérea de RAF Fairford, usada pelos Estados Unidos desde fevereiro para atacar sítios de mísseis do Irã. A suspeita inicial era de infração à Lei de Explosivos.
A suspeita foi reclassificada ao longo do dia para preparação de atentado terrorista.
A Polícia Metropolitana recebeu, às 0h45 (horário local), um chamado sobre três vans brancas suspeitas que seguiam em direção à base. Por precaução, 85 residências foram evacuadas.
Um cordão de isolamento de 400 metros foi montado ao redor dos veículos, vistoriados por um esquadrão antibombas do Exército britânico.
"Estamos nos estágios iniciais de uma investigação, e cinco homens permanecem sob custódia", disse Vicki Evans, coordenadora nacional de policiamento antiterrorista do Reino Unido, segundo a Folha. "Como seria de esperar, estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos parceiros para entender as circunstâncias do incidente."
O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, disse que a situação "está sendo tratada" e agradeceu às equipes de emergência.
Por que essa base é alvo
A RAF Fairford é usada por forças dos EUA desde 28 de fevereiro de 2026, quando o governo britânico autorizou o Pentágono a lançar ataques contra sítios de mísseis do Irã a partir da base. A instalação já recebeu bombardeiros B-1 Lancer e B-52 Stratofortress.
O aval britânico transformou uma base aérea no interior da Inglaterra em peça de um conflito a milhares de quilômetros de distância.
Em julho, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu o governo britânico a não permitir a decolagem de bombardeiros americanos de Fairford. Segundo Teerã, na ocasião, qualquer base usada para lançar ataques seria considerada alvo legítimo de retaliação.
Testemunhas da Reuters relataram reforço de segurança em outras bases usadas pelos EUA no mesmo domingo, com veículos blindados e soldados nos portões da base de RAF Lakenheath, no leste da Inglaterra.
A escalada já tinha custo fora do Oriente Médio. Em agosto, o Brasil sentiu efeito da suspensão do comércio dos Emirados com o Irã, depois de uma troca de ataques com mísseis.
Naquele mês, os EUA já haviam atacado uma base da Guarda Revolucionária em Ormuz.
Dias depois, o Irã retaliou contra bases americanas na Jordânia.
O ponto em aberto
As autoridades não divulgaram identidade, nacionalidade ou motivação dos cinco detidos, nem qual seria o alvo do suposto atentado. A base já operava sob medidas de segurança reforçadas antes das prisões, por decisão própria do comando militar.
A advertência iraniana de julho e a prisão deste domingo dividem o mesmo pano de fundo. É uma base que o Reino Unido cedeu para uma guerra que não é sua.
Fica em aberto até quando essa cessão segue sem custo interno para o país anfitrião.





























